Cooperado Wagner Donizete Dinato acompanha a evolução do solo e mostra como o Geofert, do Campo Digital Coopercitrus, orienta decisões na produção de café.

Em Dois Córregos, no interior de São Paulo, a cafeicultura integra a história da família Dinato há mais de quatro décadas. O que começou com o avô e passou pelo pai e pelo tio, está, desde 2021, sob a condução de Wagner Donizete Dinato.

Produtor rural e técnico agrícola que trabalha com pesquisa, Wagner assumiu a propriedade com o compromisso de manter o legado familiar aliado a ferramentas técnicas de gestão.

Antes da tecnologia chegar à propriedade em Dois Córregos, a adubação era feita no “olhômetro”. O primeiro Geofert foi realizado ainda na gestão do pai, em 2019. Desde então, as coletas são feitas todos os anos, no mesmo período e nos mesmos pontos georreferenciados.

“Gostei do resultado e, depois que assumi definitivamente a propriedade em 2021, comecei a usar o Geofert para acompanhar de perto. É uma ferramenta muito boa, porque consegue mapear toda a propriedade e identificar exatamente o talhão que necessita de correção”, afirma o cooperado.

A regularidade das análises permitiu a construção de um histórico técnico consistente.

“Este ano realizei a minha sexta coleta consecutiva, sempre nos mesmos pontos georreferenciados. Isso me permite acompanhar a evolução do solo. Em áreas onde o pH era 4 (muito ácido), hoje já estamos em 5,6. Tenho tudo documentado”, revela o produtor.

Para uma cultura perene como o café, esse equilíbrio é vital. Um pH corrigido significa menos alumínio tóxico e raízes mais profundas, plantas mais vigorosas e sadias, capazes de absorver melhor micro e macro nutrientes e resistir a períodos de seca.

Adubo só onde precisa

Com 36 hectares, o manejo por talhão passou a orientar a compra de insumos. O diagnóstico detalhado revelou que áreas que pareciam iguais a olho nu tinham necessidades diferentes.

“Se o talhão 2 precisa de mais enxofre, eu compro exatamente para aqueles cinco hectares. Não preciso de gastar nos outros 31. Isso gera uma economia imediata que me permite investir em tecnologia ou outras melhorias”, explica Wagner.

O trabalho segue a metodologia do Geofert Café, serviço do Campo Digital Coopercitrus que reúne coleta georreferenciada, análise laboratorial e recomendação técnica.

“Com o resultado do laboratório em mãos, o produtor identifica quais elementos estão em falta ou em excesso e consegue fazer o manejo correto, buscando o equilíbrio nutricional do solo e ganho de produção”, afirma Murilo Roque, especialista em agricultura de precisão do Campo Digital Coopercitrus.

“Depois do serviço de campo e quando temos o sistema permite trabalhar com taxa variável”, complementa Wagner. 

Janela da oportunidade

Entre maio e agosto, após a colheita, ocorre o momento mais indicado para a coleta de solo.

“Após a colheita do café, a recomendação é entrar com as coletas de solo. Antes da colheita, geralmente é feita a coleta foliar, que serve para fazer um pente fino na nutrição da lavoura”, explica Roque.

A análise de solo mede macro e micronutrientes disponíveis e parâmetros como pH. A foliar avalia os nutrientes efetivamente absorvidos pela planta, incluindo o nitrogênio.

“Na análise foliar conseguimos mensurar nutrientes que não aparecem com precisão no solo. Ela mostra se a planta está bem nutrida ou se há algum elemento em falta ou em excesso, permitindo fazer a correção adequada”, afirma Roque.

O georreferenciamento permite retornar anualmente aos mesmos pontos.

“Com as análises realizadas pelo Campo Digital, o cooperado passa a ter um histórico da área desde a primeira coleta. Todos os anos conseguimos retornar exatamente aos mesmos pontos para repetir a coleta e avaliar se o manejo adotado surtiu efeito ou se precisa de ajustes”, detalha Roque.

Após a coleta, o diagnóstico com recomendações técnicas é entregue em até 25 dias.

Um investimento que se paga 

Muitos produtores ainda hesitam pelo custo, mas os números são claros. O pacote completo do Geofert, que inclui a coleta, análise laboratorial e o mapa de recomendação, não ultrapassa os R$ 150 por hectare. 

“O investimento é muito baixo pelo retorno que o produtor tem”, afirma Roque.

Para facilitar ainda mais, a Coopercitrus permite que o cooperado utilize o barter: é possível pagar pelo serviço com a própria produção de café. 

“É possível trocar por pontos no Acessa Agro e na Orbia”, recomenda o produtor.

“O produtor tem que olhar com atenção para o solo, porque é o que ele tem de mais precioso. Não adianta comprar o trator mais moderno, gastar rios de dinheiro com insumo e não fazer a correção adequada”, resume Roque.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *