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A evolução da pulverização aérea: desafios e avanços na performance dos drones agrícolas

Marcelo Henrique Bassi, Consultor técnico da Fundação Coopercitrus Credicitrus

O uso de drones na agricultura brasileira tem avançado rapidamente, tornando-se uma ferramenta essencial para a modernização do setor. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), em 2023, cerca de 10 mil drones foram utilizados para diversas finalidades no campo, e a expectativa é que esse número tenha dobrado até o final de 2024. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que, até março de 2024, mais de 137 mil drones estavam registrados no país, sendo 4.136 destinados especificamente à pulverização agrícola.

Apesar das vantagens, a regulamentação exige que os operadores estejam registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e possuam certificação específica para a atividade. A pulverização com drones pode otimizar a aplicação dos defensivos ao melhorar o atingimento ao alvo desejado, mas para garantir operações seguras e eficientes, é essencial seguir as normas estabelecidas. A capacitação profissional e o cumprimento das diretrizes regulatórias são fundamentais para que essa tecnologia continue impulsionando a produtividade e a sustentabilidade no agronegócio.

A Coopercitrus foi pioneira na introdução e difusão do uso de drones para aplicação agrícola no Brasil, tornando essa tecnologia mais acessível e eficiente para os cooperados. Desde os primeiros testes, a cooperativa tem investido na capacitação de operadores e na validação de boas práticas, garantindo que os produtores possam utilizar os drones com segurança e precisão obtendo o máximo de performance. 

Em entrevista à Revista Coopercitrus, Marcelo Henrique Bassi, consultor técnico da Fundação Coopercitrus Credicitrus, fala sobre a importância dessas aeronaves para a modernização do campo e destaca o papel pioneiro da cooperativa em oferecer soluções completas, desde a venda e manutenção até a capacitação de profissionais para a operação dos drones agrícolas.

Coopercitrus – A Coopercitrus tem um papel fundamental na introdução e difusão do uso de drones para aplicação agrícola no Brasil. Como a cooperativa tem trabalhado para tornar essa tecnologia mais acessível para os cooperados?

Marcelo Henrique Bassi – A Coopercitrus, há mais de 10 anos, foi pioneira nessa tecnologia, que na época era emergente e estava começando no Brasil. Existiam muitas dúvidas sobre a qualidade de aplicação, a quantidade de calda, os alvos e até sobre qual ponteira e bico utilizar. Com o tempo, foi possível definir a melhor aeronave e aprimorar o uso da tecnologia. No início, os drones tinham tanques de 10 litros, hoje já chegam a 50 litros, e a evolução continua, pois hoje temos drones muito bem preparados. Mas a tecnologia não para, sempre precisa de desenvolvimento e entendimento. Pensando nisso, a Coopercitrus, por meio da Fundação Coopercitrus Credicitrus e do Instituto Agronômico de Campinas, lançou no ano passado o ‘Drones SP’. O projeto busca, dentro dos laboratórios do Instituto Agronômico e em avaliações práticas na Fundação, entender melhor a tecnologia de aplicação.

No mercado, algumas empresas fazem testes com drones, mas geralmente olhando apenas para características específicas de seus próprios produtos, sem considerar a tecnologia de aplicação como um todo. Esse é o papel que estamos desenvolvendo na Fundação e convido produtores e empresas que queiram entender mais sobre o assunto a participarem.

Temos um drone disponível para o Instituto Agronômico realizar medições. Ainda há muito a ser entendido. Por exemplo, em uma aplicação terrestre, utilizamos 250 litros de calda por hectare; com avião, entre 30 e 50 litros; e com drone, apenas 10 litros. Qual o impacto disso? Quais são os alvos? Os produtos são sistêmicos ou de contato? Se a praga está na parte superior da folha, a aplicação é uma; se estiver na parte inferior, a estratégia muda completamente. Existem também diferentes tipos de produtos: herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes, fungicidas e inseticidas. A variabilidade na tecnologia de aplicação é enorme. O nosso entendimento é que, em um futuro breve, a recomendação para aplicação aérea será diferente para drones e aviões, pois são tecnologias distintas. 

O drone veio para ficar, mas nós como técnicos e agrônomos, precisamos entender quais são seus limites e indicadores ideais. A altura de voo, a concentração da calda e a mistura correta. Uma aplicação terrestre usa 250 litros de calda diluída, enquanto no drone ela é muito mais concentrada. Como isso impacta a eficácia do produto?

Para aprofundar esse conhecimento, a Fundação Coopercitrus Credicitrus está promovendo um Fórum com empresas de drones e químicos para discutir essas questões. Além disso, a cultura tratada também influencia: uma lavoura de soja no estágio vegetativo (V4) exige uma aplicação diferente de quando está no reprodutivo; já uma cultura perene, como citros, tem desafios próprios, como o controle do psilídeo. Hoje, já temos algumas respostas. Em pomares de laranja, de dois anos, por exemplo, a arquitetura da planta é outra muda conforme a idade. Um pé de dois anos tem uma estrutura pequena, facilitando a penetração da calda; já um pé de dez anos apresenta desafios diferentes. A tecnologia é nova, pois ela está crescendo e estamos investigando essas variações para garantir que cada real investido pelos agricultores em defensivos seja bem aplicado.

Coopercitrus – Quais são os principais benefícios do uso de drones na aplicação agrícola? Como essa tecnologia contribui para a eficiência e sustentabilidade das práticas no campo?

Marcelo Henrique Bassi – Os principais benefícios são custo e acessibilidade. Um drone, isoladamente, é mais barato do que comprar um trator com pulverizador. Além disso, ele permite aplicações mesmo em condições adversas, como períodos de chuva intensa, quando o trator pode atolar na lavoura. Não vejo o drone como substituto de outras formas de aplicação, mas sim como uma tecnologia complementar. A aplicação aérea com avião tem limitações que o drone consegue suprir. Além disso, o drone facilita a logística: um produtor com várias áreas pequenas pode levar o equipamento no carro, evitando a necessidade de deslocamento de tratores entre as propriedades. Outra vantagem importante é a economia de água. O drone usa menor volume de calda, o que reduz a necessidade de abastecimento constante e simplifica a operação. Nos Estados Unidos, já existem operadores controlando até quatro drones simultaneamente em um sistema de enxame. Essa tecnologia está evoluindo rapidamente, e há muito mais por vir.

Coopercitrus – A Fundação Coopercitrus também atua na formação de profissionais para atender às demandas do agro. Como funciona o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR)?

Marcelo Henrique Bassi – O CAAR é uma exigência da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e não do Ministério da Agricultura. Ele visa capacitar pilotos para operar drones com segurança. Na Fundação, fomos os primeiros do Brasil a oferecer aulas práticas e já formamos diversas turmas e, toda semana, temos novos treinamentos. O agricultor interessado pode entrar em contato com a Fundação para se inscrever. O curso foca principalmente na segurança e nas diretrizes da Anac. Já a tecnologia de aplicação é uma frente separada, desenvolvida em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas. Não basta saber pilotar o drone, traçar rota e seguir protocolos de segurança. A qualidade da aplicação, a preparação correta da calda e a eficiência da pulverização também são aspectos fundamentais.

Coopercitrus – Qual a importância do apoio das empresas químicas nessas iniciativas?

Marcelo Henrique Bassi – As empresas precisam garantir a performance e a reputação de seus produtos. O desenvolvimento de uma nova molécula envolve milhões em pesquisa. Se o produto for aplicado de forma inadequada, ele pode ter desempenho abaixo do esperado. Sem pesquisa e entendimento, alguns defensivos podem ser misturados de maneira errada, gerando incompatibilidades ou reduzindo sua eficácia. A nossa missão é mitigar esses riscos e garantir que os produtos sejam usados corretamente, beneficiando tanto o agricultor quanto as indústrias químicas.

Coopercitrus – Como os interessados podem conhecer melhor o trabalho da Fundação Coopercitrus?

Marcelo Henrique Bassi – Entre em contato com a Secretaria da Fundação ou comigo diretamente. Também temos um departamento de pesquisa com um doutor dedicado a estudos sobre drones e aplicações. Estamos prontos para atender empresas e produtores interessados.

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