Projeto “Cacau 4.0” avalia a adaptação da cultura e amplia as possibilidades de renda para os cooperados

No dia 2 de março de 2026, em Tambaú (SP), a Coopercitrus e a Gencau oficializaram um Memorando de Entendimento para estudar o potencial do cacau como alternativa de diversificação agrícola. Batizado de “Cacau 4.0”, o projeto foca em avaliar o potencial do cultivo de cacau e desenvolver um modelo de produção de alta performance adaptado às condições locais.

O pilar central do projeto será a implantação de uma Vitrine Tecnológica na Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam (FCCC), em Bebedouro (SP). Nesta área experimental, serão conduzidos estudos sobre o comportamento de diferentes clones no clima e solo paulista. A pesquisa abrangerá:

“A ideia é criar um espaço de referência onde possamos estudar os clones, apresentar resultados aos cooperados e gerar informações confiáveis. Assim, quem tiver interesse poderá acompanhar a evolução do projeto e avaliar a viabilidade do cultivo em sua propriedade”, comenta Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus.

Integração com a cadeia do cacau

A Gencau contribui com conhecimento técnico pela experiência em toda a cadeia, desde a produção de mudas até o processamento industrial das amêndoas. 

Adriano Sartori Pedroso, CEO da Gencau, reforça que a parceria concretiza a máxima de produzir o alimento certo, no lugar certo e do jeito certo. “A Coopercitrus atua desde a preparação do solo até a colheita, e a Gencau traz o conhecimento em pós-colheita e uso do cacau. Essa união será muito proveitosa para ambas as instituições”, afirma.

Lucas Cirilo, diretor de sustentabilidade e marketing da Gencau, vê a produção em São Paulo com potencial: “Produzir cacau próximo ao consumidor [indústrias chocolateiras do Sudeste] torna a cadeia mais eficiente e sustentável, tanto em pegada de carbono quanto no atendimento às exigências dos clientes”.

Imersão técnica

Antes da implantação da Vitrine Tecnológica, equipes técnicas da Coopercitrus e da Gencau realizaram visitas de imersão às principais regiões produtoras do país, no Pará e na Bahia. O objetivo foi compreender toda a dinâmica da cadeia, desde o manejo e tratos culturais até a estrutura de comercialização e logística de entrega nas fábricas de processamento. 

“A troca de experiências e a imersão nas regiões produtoras foram fundamentais para entender o comportamento da cultura e identificar práticas que podem ser adaptadas para a nossa realidade”, ressalta a coordenadora de Novos Projetos da Coopercitrus, Giovana Chicarelli.

A experiência evidenciou a importância do planejamento e de estudos prévios antes da implantação do cultivo em novas regiões. “Existe sempre muita expectativa quando se fala em novas culturas, mas é fundamental avançar com responsabilidade, estudando bem o comportamento das plantas e as condições locais”, ressalta a coordenadora.

O objetivo foi compreender a dinâmica completa da cadeia produtiva, desde o manejo e os tratos culturais até a estrutura de comercialização e a logística de entrega às fábricas de processamento.

“A troca de experiências e o contato direto com os produtores locais foram fundamentais para aprofundar o entendimento sobre o comportamento da cultura e identificar práticas que podem ser adaptadas à nossa realidade. “A imersão nas regiões produtoras permite conhecer de perto os desafios, as oportunidades e as particularidades do cacau em diferentes ambientes”, destaca Giovana.

A experiência também evidenciou a importância do planejamento e de estudos prévios antes da implantação do cultivo em novas regiões. “Existe sempre uma grande expectativa quando se fala em novas culturas, mas é essencial avançar com responsabilidade, analisando o comportamento das plantas e respeitando as condições locais”, reforça a coordenadora.

O cronograma incluiu encontros com produtores, visitas a áreas comerciais de cultivo, viveiros de mudas e observação prática dos sistemas de manejo adotados nas diferentes regiões, além do acompanhamento da estrutura de comercialização e logística até as indústrias de processamento.

Durante a imersão, foi possível observar realidades distintas de produção, influenciadas por condições climáticas, tipos de solo, sistemas de cultivo e níveis de tecnificação. 

No Pará, reconhecido como o berço do cacau no Brasil, foi possível observar um sistema de produção fortemente ligado à agricultura familiar, com tradição histórica no cultivo da cultura. A região se destaca pelo conhecimento empírico acumulado ao longo dos anos, pelo manejo adaptado às condições locais e pela forte relação do produtor com a cultura, que muitas vezes faz parte da identidade e da renda da propriedade.

Já na Bahia, as visitas proporcionaram uma visão estratégica diferente, especialmente em áreas onde o cacau é cultivado a pleno sol, sob temperaturas elevadas e condições de menor precipitação. Nessas regiões foi possível observar sistemas produtivos mais tecnificados, com manejo adaptado a ambientes de maior estresse climático, trazendo referências importantes que permitem avaliar a viabilidade do cultivo do cacau em outras regiões do país, como o estado de São Paulo.

As áreas visitadas demonstraram que, com tecnologia, escolha correta de materiais e manejo nutricional e hídrico bem ajustados, é possível produzir cacau mesmo em condições de temperaturas mais elevadas e menor disponibilidade de água. Essas experiências fortalecem a compreensão de que o cacau pode ser explorado em sistemas alternativos, desde que haja acompanhamento técnico e estratégias adequadas de manejo.

Por que o cacau?

Dia de campo aproxima o produtor

O projeto foi apresentado na prática no dia 9 de março, durante um Dia de Campo realizado em Tabapuã, em parceria com a TIMAC, na propriedade do cooperado José Celso Dias. Foram apresentadas soluções de manejo nutricional e informações técnicas sobre o cultivo e processamento pós-colheita. 

O cooperado Wilson Carminatti elogiou a iniciativa: “É de suma importância para que a gente possa abrir um pouco mais o horizonte, melhorar as nossas receitas e ponderar as receitas em várias culturas”. A cooperada Sandra Dias também expressou seu apoio: “Para o produtor rural, a Coopercitrus é um grande braço, um reforço, um respaldo”.

Próximos passos

A próxima etapa do projeto é a implantação da vitrine tecnológica na área experimental da FCCC. A partir dos resultados, a Coopercitrus irá orientar os produtores com base em dados técnicos, contribuindo para decisões mais seguras.

O cooperado interessado pode procurar a Coopercitrus para acompanhar a evolução dos estudos e avaliar as possibilidades da cultura do cacau em sua propriedade.

Alternativa para áreas em transição

A iniciativa surge em um momento de transformação na citricultura. O avanço do greening vem impondo desafios, exigindo a erradicação de pomares e impedindo o replantio imediato de citros em certas áreas. Nesse cenário, o cacau surge como uma possibilidade de renda.

O CEO da Coopercitrus, Fernando Degobbi, reforça: “Vamos apoiar, estudar a viabilidade e entender a melhor forma de apresentar essa alternativa ao cooperado para que ele possa entrar de maneira mais segura nessa nova cultura.”

Projeto Cacau 4.0

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