A tecnologia que “enxerga” o lucro onde o mato tenta esconder
Tecnologia do Campo Digital auxilia o produtor na tomada de decisão, reduz custos com herbicidas e protege o potencial produtivo da lavoura

Imagine a seguinte cena: você está diante de um talhão de 50 hectares. Olhando de longe, manchas de mato (as famosas reboleiras) aparecem aqui e ali. No manejo tradicional, a solução seria simples, porém cara: colocar o pulverizador para rodar a área toda, aplicando herbicida em cada metro quadrado. Mas, e se você pudesse aplicar o produto apenas onde o mato realmente está?
Essa é a promessa do serviço de Mapeamento de Plantas Daninhas oferecido pelo Campo Digital Coopercitrus. Nesta matéria você vai entender como essa inovação funciona e por que ela se tornou o braço direito do produtor que busca sustentabilidade e economia real.
“Olho de Águia” sobre a Lavoura
O serviço utiliza drones e VANTs equipados com câmeras de alta resolução que sobrevoam a propriedade em alturas específicas para captar detalhes que o olho humano, do chão, deixaria passar.
Segundo Aline Vidal, especialista em projetos com drones do Campo Digital, o voo para plantas daninhas é um dos mais detalhados: “O voo é feito em baixa altitude para garantir o máximo de detalhes. Como muitas daninhas têm cor e textura semelhantes à cultura, precisamos de imagens bem precisas para garantir a identificação correta”, explica.
As imagens são processadas em softwares que geram um mapa de infestação preciso. “O sistema identifica plantas de folha larga, como mucuna, corda-de-viola e mamona”, explica Murilo Roque, líder de serviços de Agricultura de Precisão do Campo Digital.
Identificação e estratégia de controle
O mapeamento de plantas daninhas tem como objetivo identificar, localizar e quantificar as infestações dentro do talhão. Roque explica que o serviço classifica as ocorrências, principalmente, entre plantas de folha larga e folha estreita. Enquanto o mapeamento de folhas largas já é amplamente utilizado, as folhas estreitas ainda representam um desafio técnico na cultura da cana.
“Cana também é uma folha estreita, então a dificuldade é separar uma folha estreita da outra. Hoje esse ainda é um gargalo para o setor, mas estamos trabalhando com novas tecnologias para atender também essa demanda”, afirma.
Durante o levantamento, o drone pode capturar milhares de imagens, que são processadas em um software próprio para formar uma única imagem georreferenciada. As imagens passam por uma análise técnica manual, garantindo maior confiabilidade ao mapa gerado.
Com o mapa georreferenciado em mãos, o produtor tem o poder da decisão. O arquivo digital é inserido no monitor do pulverizador ou no controle do drone de pulverização. A partir daí, é possível fazer a aplicação localizada somente sobre a mancha de mato. Essa técnica, conhecida como catação, gera uma margem de segurança ao redor da planta para garantir que nenhuma semente escape do controle.
“O produtor que utiliza o serviço ano após ano consegue acompanhar a evolução da área. Em muitas regiões, conseguimos ver a redução significativa das manchas de infestação, com reboleiras que praticamente desapareceram,” conta Murilo.

Viável e adaptável ao tamanho da infestação
A decisão entre aplicar herbicida na área total ou apenas nos focos localizados depende da extensão da infestação e do perfil do produtor. Em geral, o mapeamento mostra que muitos talhões não necessitam de aplicação, ou demandam atenção apenas em pequenos pontos.
“Tem produtor que decide aplicar área total com 30% de infestação, outros só fazem isso quando chega a 80%. O importante é que, com os dados em mãos, ele tem poder de escolha e segurança para decidir,” destaca Aline.
Vale a pena?
Para o produtor rural, a pergunta final sempre envolve o bolso. E os argumentos são contundentes:
- Economia de insumos: em áreas com infestações localizadas, a economia de herbicida pode chegar a 95%. “É a diferença entre tratar 13 hectares de área bruta ou apenas os 3 hectares onde o mato realmente infesta”, exemplifica um dos mapas técnicos apresentados pela equipe.
- Menos fitotoxicidade: aplicar herbicida apenas no alvo significa que a sua cultura principal não sofrerá o estresse químico desnecessário, o que favorece o crescimento pleno da lavoura.
- Histórico de manejo: como o mapeamento pode ser feito safra após safra, o produtor consegue ver a evolução. “Dá para notar se uma reboleira diminuiu ou se as sementes se espalharam na hora da colheita, permitindo um planejamento muito mais inteligente para o ano seguinte”, pontua Vidal.
Campo Digital: tecnologia que trabalha junto com você
O cooperado não precisa se preocupar com o processamento de dados nem com a operação de softwares para aproveitar os benefícios do mapeamento de plantas daninhas. A equipe do Campo Digital cuida de toda a parte técnica, entregando o mapa pronto para aplicação e orientações para o manejo.
E se quiser dar um passo além, a Coopercitrus também oferece drones de pulverização de última geração, com treinamento completo para que o produtor ou sua equipe operem a tecnologia com segurança e autonomia.
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A precisão que protege o canavial e o bolso

Para o engenheiro agrônomo e produtor rural Eduardo da Palma, de Monte Azul Paulista (SP), a tecnologia deixou de ser uma opção para se tornar uma exigência de mercado. Com cerca de 1.200 hectares de cana-de-açúcar sob sua gestão, ele utiliza o mapeamento com drones para garantir que cada centavo investido em insumos tenha o retorno esperado.
O princípio da catação — aplicar herbicida apenas onde o mato está — é o que guia o manejo de Eduardo há três safras. Ao monitorar áreas fixas com o serviço do Campo Digital, ele consegue controlar as infestações de folhas largas, como a mucuna e a corda-de-viola, com uma precisão que o manejo convencional não alcançaria.
“O principal ganho está na otimização. Com o projeto em mãos, a gente aplica só onde realmente precisa, reduzindo o uso de insumos e protegendo o potencial da cultura”, destaca o cooperado.
Essa economia citada por Eduardo é visível nos números. Em um de seus talhões de 13,28 hectares, o mapeamento identificou que a infestação real de mucuna ocupava apenas 0,07 ha. Graças à inteligência de dados, a área líquida de aplicação foi de apenas 3,37 hectares, uma redução drástica que preserva o caixa do produtor e o meio ambiente.
Tecnologia 360°
Eduardo explica que o mapeamento de plantas daninhas ganha ainda mais força quando integrado ao planejamento estrutural da fazenda. Na sua propriedade, o drone é ferramenta constante: desde a definição de curvas de nível e traçado de linhas de plantio até o levantamento de falhas e a identificação de mato competidor.
“Tudo o que é planejamento de solo e linha de plantio, a gente faz com o pessoal da Coopercitrus. Inclusive estamos fazendo isso agora em uma fazenda nova que compramos”, relata Palma. Essa visão sistêmica permite que os mapas de daninhas sejam inseridos no piloto automático das máquinas, garantindo que a aplicação seja feita exatamente sobre o alvo, sem desperdícios.
O combate ao “pisoteio” e a longevidade
Um dos pontos de maior destaque no depoimento de Eduardo é como o mapeamento ajuda a combater o maior inimigo da produtividade na cana: o pisoteio da soqueira.
Para ele, saber exatamente onde estão as linhas através do mapeamento evita que máquinas pesadas esmaguem a cana, especialmente em operações noturnas de colheita. “A entrelinha é feita para a máquina passar. Se você não tem o projeto mapeado, o operador passa em cima da cana plantada. Por isso eu digo: a palavra de ordem hoje na cana é pisoteio. Quando você faz o projeto e o mapeamento, essa perda é minimizada e o canavial dura muito mais”, reforça.
Ganho coletivo e sustentabilidade
Além da economia direta, Eduardo pontua que o uso do mapeamento beneficia toda a cadeia, incluindo a usina e o meio ambiente. “No final, todo mundo ganha: o produtor, a usina e o meio ambiente”, resume. Segundo ele, a redução de manobras e o melhor planejamento diminuem o consumo de diesel e tornam a operação mais sustentável.
“Você polui menos, gasta menos combustível por hectare e tem um rendimento maior. Só tem ganho nessa história”, conclui o produtor, que recomenda a tecnologia sem hesitar. “Eu indico de olho fechado. Hoje a tecnologia é indispensável. Quem não fizer, vai estar fora do mercado”.
