
Do “arroz com feijão” bem feito à alta tecnologia: como a Coopercitrus apoia cooperados a enfrentar crises, elevar a produtividade e preparar o pomar do futuro.
Para a Coopercitrus, a citricultura está no DNA. Foi para dar voz e força a esses produtores que a Coopercitrus foi criada em 1976. O nome não nega a origem: a cooperativa floresceu a partir da união de citricultores que buscavam segurança para produzir e crescer.
Desde então, a citricultura nunca foi um caminho fácil. É uma cultura de ciclos, de altos e baixos, de decisões que precisam ser tomadas olhando para a próxima safra e, muitas vezes, para a próxima geração. Ao longo das últimas cinco décadas, os produtores enfrentaram períodos de expansão, crises severas, mudanças no manejo e as constantes oscilações do mercado.
O amarelinho (CVC) e o cancro cítrico deixaram marcas profundas. Muitos produtores migraram para outras atividades diante dos custos de produção. Ao mesmo tempo, a concentração da indústria e as viradas do mercado contribuíram para um cenário de incerteza, influenciando decisões estratégicas de permanência ou saída da citricultura.
Hoje, o principal desafio atende pelo nome de greening, principalmente no cinturão citrícola do Estado de São Paulo. A doença mudou a forma de produzir citros, elevou custos e passou a exigir um nível de atenção e preparo técnico muito maior dentro da porteira.
No campo econômico, o setor viveu uma forte oscilação recente. Em 2024, a alta nos preços trouxe otimismo e estimulou novos investimentos. Já em 2025, a frustração com a queda das cotações e a pressão sobre as margens reacenderam as preocupações, com perspectivas mais cautelosas para 2026.
O manejo mudou, a rotina ficou mais intensa e as decisões ficaram mais complexas, mas a parceria não mudou. Em cada uma dessas fases, a Coopercitrus esteve ao lado do produtor, evoluindo junto com ele e trazendo novas soluções para atravessar momentos difíceis e se preparar para os próximos ciclos.
É essa história de confiança que esta reportagem valoriza. Histórias de produtores que seguem produzindo, planejando e investindo, com apoio técnico, troca de informação e parceria com a cooperativa.
É a partir dessas histórias que o Citrus é Coopercitrus ganha sentido prático no campo.

Para o engenheiro-agrônomo Luís Felipe Rinaldi, especialista da Coopercitrus, o foco do citricultor deve estar na eficiência. “Tivemos um momento de euforia seguido por um ajuste forte. O custo subiu e a produtividade é o que sustenta o negócio. Quem consegue produzir bem atravessa melhor os períodos de mercado mais apertado. Isso reforça a importância de planejamento, controle de custos e decisões mais técnicas dentro da propriedade”, explica.

O acompanhamento técnico também ganhou peso. Para Nelcir Oliveira, engenheiro-agrônomo e especialista em citros da cooperativa, o produtor que segue na atividade é aquele que busca informação e não decide sozinho. “O citricultor ideal, hoje, é o que procura a cooperativa, está sempre buscando informação técnica e não se acomoda”, resume. Essa nova realidade deixou claro que produzir citros exige mais preparo, planejamento e apoio.
O que é o Citrus é Coopercitrus
O Citrus é Coopercitrus é um conjunto de iniciativas que a cooperativa oferece ao citricultor para enfrentar uma citricultura mais exigente, técnica e desafiadora, ampliando o acesso à informação, à capacitação e às melhores práticas.
O que compõe a iniciativa:
- Acompanhamento técnico no campo, com orientação no momento certo.
- Capacitação de cooperados e equipes, com treinamentos e atualizações constantes.
- Dias de campo e eventos técnicos voltados à prática do manejo.
- Tecnologia aplicada à citricultura, como agricultura de precisão, poda e irrigação.
- Parcerias com instituições de referência, como Fundecitrus e Embrapa.
- Suporte à tomada de decisão, reduzindo riscos e aumentando a produtividade.
Família Ferreira da Silva: Mão na massa, de pai para filho

No município de Santa Salete, na região de Jales (SP), a trajetória da família Ferreira da Silva mostra que a citricultura, apesar dos desafios, recompensa quem trata o pomar com proximidade. O que começou há pouco mais de 20 anos, com Fabrício Ferreira da Silva e o pai, Juscelino, plantando apenas 1.600 mudas, transformou-se hoje em uma área de 112 hectares de laranja.
A receita desse crescimento está no que a família chama de “arroz com feijão bem feito”: presença constante e decisões baseadas em informação técnica. “A gente não decide nada sozinho. Tudo tem o respaldo da Coopercitrus”, afirma Fabrício. Essa parceria permite manter o foco no que sustenta o negócio: produtividade.
Em anos considerados normais, o pomar chega a produzir cerca de duas mil caixas por hectare, índice que garante viabilidade mesmo em períodos de mercado mais apertado. “Quando o preço cai, quem não tem produtividade fica pelo caminho”, alerta.
A história da família no campo começou com o café, passou pelo gado e pela produção de leite, até que, entre 2004 e 2005, a laranja passou a ocupar espaço definitivo na propriedade. O crescimento veio aos poucos, sem saltos arriscados. Hoje, a produção é voltada principalmente para o mercado de mesa, com a variedade Pera Rio.
Os desafios sempre fizeram parte do caminho, da falta de estrutura aos ajustes de manejo e ao avanço do greening, que tem baixa incidência na região. Ainda assim, a família seguiu firme, apostando no básico bem feito.
A divisão das tarefas ajuda a manter a organização. Enquanto Fabrício cuida da gestão e das decisões estratégicas, o irmão Fábio responde pela parte operacional, como irrigação, adubação e manejo do pomar. O pai segue ativo no dia a dia, trazendo a experiência de quem já atravessou diferentes ciclos da citricultura.
Para Nelcir Oliveira, consultor da Coopercitrus, Fabrício personifica o “citricultor ideal”: “É o produtor que não se acomoda e entende que a sustentabilidade vem da informação aplicada”. O resultado dessa parceria aparece tanto no manejo quanto na produtividade alcançada ao longo dos anos.
Sucessão: o futuro já pilota o trator

Mais do que números, a história da família Ferreira da Silva é lastreada em seu legado. A sucessão acontece de forma natural, movida pelo entusiasmo da nova geração. Os filhos de Fabrício, Pietro e Henrique, já participam da rotina da fazenda, ajudam nos tratos culturais e mostram intimidade com as máquinas. “Eles não aceitam que ninguém mexa nos tratores, tem que ser eles”, conta o pai, orgulhoso.
Para Fabrício, ver os filhos envolvidos é a maior garantia de continuidade. “É uma cultura que promete. Quem é apaixonado e não desanima, continua no plano e colhe os frutos”, conclui o cooperado.
Família Davoglio: A engenharia do tempo

Em Arealva (SP), a citricultura é mais do que uma atividade econômica para a família Davoglio. É uma herança que atravessa gerações. Hoje, Thiago Davoglio, engenheiro-agrônomo e representante da quinta geração ligada ao cultivo de citros, está à frente de uma das propriedades da família.
A rotina no pomar revela bem esse encontro entre tradição e técnica. Thiago caminha entre as linhas, observa o solo, avalia a sanidade das plantas e toma decisões que não valem apenas para a próxima safra, mas para os próximos anos.
Formado em agronomia, Thiago passou cerca de dez anos fora da fazenda, atuando em empresas multinacionais e acumulando experiência técnica e comercial, inclusive no exterior. O retorno definitivo ao negócio da família aconteceu em 2020, quando assumiu a condução da propriedade em Arealva. “A família precisava de gente preparada para tomar decisões. Voltei com esse propósito”, conta.
Atualmente, a área soma cerca de 200 hectares, com pomares mais antigos, em torno de 20 anos, e áreas mais novas em implantação. Na última safra foram colhidas aproximadamente 97 mil caixas de laranja, resultado considerado positivo dentro do cenário atual da citricultura.
O greening é tratado com rigor. As inspeções são frequentes e as decisões, rápidas. “Hoje não dá mais para esperar. A identificação precisa ser precoce e o manejo, imediato”, afirma. Esse cuidado constante elevou o nível técnico da operação e mudou a forma de conduzir o pomar.
O manejo adotado pela família também chama atenção por fugir do padrão. Em vez do uso intensivo de herbicidas, a área utiliza braquiária nas entrelinhas, roçadeira ecológica e menor interferência química. “Percebemos menos queda de frutos e melhor equilíbrio da planta. Não é uma receita para todo mundo, mas funcionou aqui”, explica Thiago.
Parte dos pomares mais antigos, com porta-enxerto limão-cravo, vem sendo gradualmente substituída por novas combinações. Nos plantios recentes, a opção foi pela laranja Pera Rio, com porta-enxertos citrandarins, escolhidos pela maior tolerância, equilíbrio produtivo e menor risco fitossanitário.
Para o consultor especialista da Coopercitrus Luís Felipe Rinaldi o diferencial da família Davoglio está na coerência técnica. “Eles adotaram um manejo mais trabalhoso, mas muito eficiente. Reduziram herbicidas, usam cobertura vegetal e complementam com controle manual. É um produtor muito informado, sempre presente em eventos e buscando conhecimento”, avalia.
A visão de longo prazo sempre guiou as decisões da família. Uma frase do avô de Thiago virou quase um lema: “A citricultura é um excelente negócio, porque de tempos em tempos ela é um péssimo negócio.” Para atravessar esses períodos, o cooperativismo entra como fator de equilíbrio. “A Coopercitrus ajuda a dar suporte técnico e segurança para seguir investindo, mesmo quando o cenário aperta”, afirma.
A sucessão familiar também pesa nas escolhas. Pai de um menino de sete anos e à espera do segundo filho, Thiago planeja os novos plantios pensando no futuro. Assim como seu pai, Nildo Fernando, e seu tio, Antônio Carlos, abriram espaço para sua visão técnica, ele prepara o terreno para a sexta geração. “Citricultura é pensar hoje no que vai acontecer daqui a muitos anos. O meu planejamento é para que meus filhos encontrem um pomar saudável e um negócio viável, assim como eu recebi”, conclui.
O pomar do futuro de Lucas Ferrante

Na Fazenda São Domingos (LF Citrus), em Olímpia (SP), o futuro da citricultura já é realidade. Sob o comando de Lucas Ferrante, o pomar, com apenas três anos de formação, tornou-se referência em sustentabilidade e eficiência, mostrando que a tecnologia, quando bem aplicada, encurta caminhos e garante produtividade.
Aos 41 anos, Lucas sente que honra a memória do avô ao levar a citricultura a um novo patamar de profissionalismo. A ideia foi transformar uma antiga área de cana-de-açúcar em um pomar de alta performance. “Eu procurei a Coopercitrus pela confiança. Quando aqui ainda era só terra, eles já estavam juntos no planejamento”, recorda o cooperado.
O projeto não deixou espaço para o acaso. Antes da primeira muda ir para o chão, o Campo Digital Coopercitrus fez o mapeamento e a sistematização da área. Com o uso de drones e imagens de alta resolução, foi definido o melhor arranjo das plantas e o comprimento ideal das linhas. O ganho apareceu na eficiência operacional e na redução de custos com combustível.
A tecnologia seguiu presente após o plantio. A propriedade conta com irrigação de precisão, equipada com estação meteorológica, sensores de umidade e sistemas que definem a quantidade de água necessária para cada área. “É colocar exatamente a água que a planta precisa, sem desperdício”, explica Lucas.
Manejo sustentável e acompanhamento constante

O manejo foi pensado para reduzir impactos e elevar a eficiência. O “Pomar do Futuro” adota práticas conservacionistas, como redução de herbicidas, uso de plantas de cobertura e a roçadeira ecológica, que deposita matéria orgânica sob a “saia” das plantas para proteger as raízes e conservar a umidade.
O objetivo é melhorar a estrutura do solo, reduzir a compactação e favorecer o desenvolvimento das raízes.
A escolha da variedade Pera Rio priorizou a qualidade do fruto e a rastreabilidade. O resultado impressiona: mesmo em uma região desafiadora, o pomar apresenta plantas vigorosas e uma incidência de greening de apenas 2%, reflexo do monitoramento semanal dos agrônomos da cooperativa.
Para Lucas, o diferencial do projeto está na integração. “Sozinho, é difícil juntar tudo isso. Com a Coopercitrus a gente teve acesso ao planejamento, à tecnologia, ao manejo e à orientação técnica desde o começo”, afirma.
Na avaliação de Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus e também produtor rural, o projeto mostra como a tecnologia precisa estar conectada ao resultado. “Não existe sustentabilidade sem viabilidade econômica. Quando a tecnologia entra no campo e gera produtividade, ela passa a fazer sentido”, afirma.
Todo o Suporte da Coopercitrus ao Citricultor

Mesmo diante desse cenário adverso, produtores ligados à Coopercitrus e à Coperfam (Cooperativa de Produtores Rurais de Agricultura Familiar) têm encontrado maior estabilidade. O suporte técnico especializado, o acesso a informações estratégicas, soluções integradas e oportunidades diferenciadas de rentabilidade têm sido fatores decisivos para enfrentar as dificuldades do setor.

