Cultivares lançadas pela Embrapa, em parceria com a Fundação Coopercitrus Credicitrus e o CCSM/IAC, estão disponíveis para plantio comercial
O cinturão citrícola paulista acaba de ganhar dois reforços de peso. As novas cultivares de laranja-doce Majorca e Kawatta foram oficialmente lançadas durante a 50ª Expocitros, evento de referência mundial no setor, realizado no início de junho. O lançamento é fruto de uma colaboração de décadas entre a Embrapa, o Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico de Campinas (CCSM/IAC) e a Fundação Coopercitrus Credicitrus (FCC), com apoio do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e FAPESP, e promete atender à crescente demanda por frutas precoces, saborosas e de alta qualidade para o mercado de sucos.
De acordo com o pesquisador Eduardo Girardi, da Embrapa, as cultivares Majorca e Kawatta se destacam por sua precocidade, com colheita entre maio e julho — justamente no período em que outras cultivares tradicionais, como a Pera e a Valência, ainda não estão maduras. “A grande vantagem é que essas laranjas são colhidas quando há escassez de frutas de maior qualidade, oferecendo um suco mais doce, colorido, com maior teor de sólidos solúveis e vitamina C do que o padrão, a Hamlin, por exemplo”, afirma Girardi.
A cultivar Majorca apresentam teores superiores de vitamina C, enquanto Kawatta se destaca pela cor do suco. Ambas apresentam mais açúcar, o que as torna ideais tanto para a indústria quanto para o consumidor doméstico. Além disso, têm boa adaptação a diferentes tipos de porta-enxertos e climas, do sul ao norte de São Paulo, desde que haja irrigação em regiões mais quentes.
“Elas trazem vantagens tanto para o produtor, com colheita e poda facilitadas, quanto para a indústria, com a possibilidade de produzir suco 100% integral na entressafra”, destaca Eduardo Girardi.As frutas são atrativas para o consumidor por sua aparência e paladar, podendo ser usadas também para consumo in natura. A Kawatta apresenta leve vantagem em rendimento industrial, enquanto a Majorca é um pouco mais precoce. Ambas apresentaram qualidade sensorial superior em testes com consumidores e com a indústria.
Desempenho agronômico validado
A citricultura vive um momento de expansão para novas fronteiras agrícolas, incluindo regiões como Goiás, Triângulo Mineiro e Mato Grosso do Sul. Neste cenário, a busca por variedades adaptadas e de qualidade elevada é essencial. “Muitas fábricas já estão rejeitando frutas com baixo teor de açúcar. Qualidade será cada vez mais exigida”, alerta Girardi.
Além da Majorca e da Kawatta, a Embrapa e seus parceiros lançaram em 2023 a laranja Alvorada, voltada ao consumo in natura, e a Baianinha XR, resistente à bactéria do amarelinho, além do limão Tahiti Ponta Firme. A expectativa é que mais dez variedades, entre laranjas e tangerinas, sejam lançadas nos próximos anos, consolidando a UMIPTT entre Embrapa, Fundecitrus e FCC como polo estratégico para a inovação na citricultura.
Características técnicas das variedades
| Cultivar | Colheita | Uso principal | Adaptação | Diferenciais |
| Majorca | Maio a julho | Indústria e mesa | Clima ameno a quente com áreas irrigadas | Precocidade, alta vitamina C, alto brix |
| Kawatta | Junho a julho | Indústria | Regiões frias a quentes com irrigação | Rendimento industrial elevado, coloração intensa |
Para saber como introduzir essas cultivares na sua propriedade e otimizar os resultados, procure o consultor da sua unidade Coopercitrus.
Cultivares lançadas pela Embrapa, em parceria com a Fundação Coopercitrus Credicitrus e o CCSM/IAC, reforçam a importância da citricultura sustentável e competitiva


