
Produtos biológicos mostram eficiência no controle, nutrição e equilíbrio do sistema produtivo.
Produzir mais, cuidar do solo e seguir competitivo. Esse é o foco de muitos produtores diante dos novos desafios da agricultura. É nesse cenário que os bioinsumos vêm ganhando espaço. De inoculantes a defensivos biológicos, essas soluções naturais ajudam a melhorar a saúde do solo, fortalecer as plantas e controlar pragas e doenças com alta eficiência e viabilidade. Se antes eram vistos apenas como alternativas ecológicas, hoje são tratados como tecnologias de alta performance, integrando manejo agrícola em larga escala.
Entre 2014 e 2024, o número de empresas especializadas em bioinsumos no Brasil saltou de 8 para 53, um crescimento de 662%, segundo levantamento da CropLife Brasil. Só na safra 2023/2024, o mercado nacional avançou 15%, movimentando cerca de R$ 5 bilhões. Com isso, o país já se posiciona entre os líderes globais do setor.
O uso nas lavouras também acompanha esse ritmo. Os produtos biológicos já tratam 156 milhões de hectares, o equivalente a 26% da área cultivada no Brasil, e devem continuar crescendo nos próximos anos.
No cenário global, a expectativa é que o mercado de bioinsumos atinja US$ 30 bilhões até 2030. Desse total, o Brasil deve responder por 20% da expansão no segmento de biocontrole.
Na Coopercitrus, a venda de bioinsumos aumentou 37,5% em 2024. Segundo Matheus Marino, presidente do conselho da cooperativa, a tecnologia começou nas grandes propriedades e agora cresce especialmente entre pequenos e médios produtores.
“Embora ainda represente uma fatia pequena, com cerca de 3% do volume total de insumos vendidos pela cooperativa, ela tem um potencial de crescimento expressivo nos próximos anos”, destaca Marino.
Nesse contexto, a equipe técnica da cooperativa tem papel fundamental para difundir, apresentar e orientar como aplicar os bioinsumos com segurança e eficiência.
Nas próximas páginas você confere o que são os bioinsumos, como funcionam, quais os cuidados necessários e os resultados que eles já vêm entregando para produtores de diferentes perfis.
O que são bioinsumos
Bioinsumos são produtos de origem biológica como microrganismos, extratos de plantas e outras substâncias naturais, usados para nutrir, proteger e fortalecer as plantas, combater pragas e doenças. Ao contrário dos insumos químicos, que costumam agir de forma imediata e isolada, os bioinsumos trabalham junto com o ambiente, estimulando processos naturais do solo e das plantas para melhorar o desempenho da produção.
Eles podem ser aplicados no solo, nas plantas, nas sementes ou até mesmo em ambientes de produção como silos e viveiros. Conhecer as categorias ajuda a entender como e onde aplicar:
Inoculantes
Feitos à base de bactérias benéficas, como Bradyrhizobium e Azospirillum, promovem a fixação biológica do nitrogênio, especialmente em leguminosas como soja e feijão. Complementam também o fornecimento de nitrogênio para as plantas e ativam a microbiota do solo.
Biodefensivos
Formulações biológicas que usam vírus, bactérias, fungos ou nematoides para controlar pragas e doenças. Dividem-se em:
- Biofungicidas – combatem fungos patogênicos nas plantas (ex: Trichoderma),
- Bioinseticidas – controlam insetos (ex: Beauveria bassiana, Bacillus thuringiensis),
- Bionematicidas – controlam nematoides que atacam as raízes.
- Bioherbicida – controlam plantas daninhas (ainda sem registro no Brasil, mas recebem investimentos de grandes players do mercado de herbicidas).
Extratos vegetais e bioestimulantes
Formulados a partir de algas, óleos essenciais, aminoácidos e hormônios naturais. Estimulam o crescimento, aumentam a resistência da planta a estresses (climáticos e fisiológicos) e fortalecem o metabolismo, com foco em enraizamento e formação de estruturas produtivas.
Condicionadores biológicos de solo
São compostos orgânicos enriquecidos com microrganismos benéficos, ácidos húmicos, fúlvicos e outras substâncias naturais, que melhoram a estrutura física e biológica do solo. Ajudam a reter umidade, aumentar a porosidade e favorecer o desenvolvimento das raízes.



Benefícios dos bioinsumos
Incluir bioinsumos no manejo agrega ganhos em aspectos agronômico, econômicos e ambientais.
| Para o produtor | Para a planta e o solo | Para o meio ambiente |
| Mais produtividade: Bioinsumos fortalecem as defesas naturais da planta e ajudam a prevenir e combater pragas e doenças, reduzindo perdas e elevando o potencial produtivo. | Desenvolvimento de raiz e planta: Bioestimulantes e condicionadores promovem maior enraizamento e desenvolvimento vegetativo, aumentando o potencial produtivo. | Menor impacto e menos resíduos: Os bioinsumos têm baixa toxicidade, são biodegradáveis e não deixam resíduos químicos persistentes no solo ou nas plantas. |
| Gestão de risco e diversificação do manejo: Ao integrar tecnologias biológicas, o produtor reduz a dependência de soluções químicas únicas e amplia seu leque de ação. | Maior absorção de nutrientes: Inoculantes e biofertilizantes ativam a microbiota do solo, otimizando o aproveitamento de fósforo, nitrogênio e outros elementos essenciais. | Preservação da biodiversidade: Atuam de forma mais seletiva, respeitando inimigos naturais, a fauna do solo, os polinizadores e os organismos benéficos. |
| Acesso a mercados e certificações: O uso de bioinsumos favorece a rastreabilidade e atende exigências de programas sustentáveis, agregando valor ao produto final, especialmente para exportação. | Resiliência a estresses: Bioinsumos ajudam a planta a tolerar melhor adversidades como seca, salinidade e ataque de patógenos, mantendo sua sanidade e vigor. | Redução da pressão química: Ao permitir o uso racional de defensivos convencionais, ajudam a conter a seleção de pragas resistentes e promovem um agro mais equilibrado. |
Desafios e cuidados
Apesar do avanço tecnológico e do crescimento no uso, os bioinsumos ainda exigem atenção especial por parte do produtor rural. Para entregarem os resultados esperados, é fundamental compreender que seu desempenho depende de uma série de fatores ligados ao manejo, às condições da lavoura e à compatibilidade com outras práticas agrícolas.
Um dos principais pontos é que a eficiência dos bioinsumos pode variar conforme a cultura, o tipo de solo, o clima da região e o histórico de manejo da área, ou seja: nem todo produto biológico terá o mesmo efeito em diferentes propriedades. Por isso, o acompanhamento técnico é essencial.
Além disso, o uso de bioinsumos exige conhecimento sobre doses, momentos de aplicação e condições ideais para o desenvolvimento dos microrganismos.
“Os bioinsumos não atuam de forma isolada, e seu sucesso depende da integração com outros insumos e práticas agronômicas. Produtos químicos incompatíveis, por exemplo, podem inativar os microrganismos. Já solos compactados, mal drenados ou com baixa matéria orgânica podem limitar sua ação”, observa o engenheiro agrônomo Guilherme Caus, Coordenador Comercial de Defensivos da Coopercitrus.
Origem dos bioinsumos
O uso de recursos biológicos na agricultura remonta às civilizações antigas, que já utilizavam compostagem e plantas repelentes como formas naturais de fertilização e controle de pragas. Mas o conceito moderno de bioinsumos, com aplicação científica de microrganismos, extratos naturais e processos fermentativos começou a ganhar força no século XX, com o avanço da microbiologia e da biotecnologia.
Nas décadas de 1950 e 1960 surgiram os primeiros inoculantes microbianos comerciais, como os baseados em Bradyrhizobium para fixação biológica de nitrogênio em leguminosas, especialmente soja.
A partir dos anos 1980, as pesquisas em biocontrole de pragas avançaram, com uso de vírus, fungos entomopatogênicos (como Beauveria bassiana) e bactérias como o Bacillus thuringiensis (Bt).
O Brasil é referência mundial no uso e desenvolvimento de bioinsumos, especialmente em culturas como soja, cana-de-açúcar e café.
Anos 1970–1990
- O país investe fortemente em pesquisa via Embrapa, com destaque para a fixação biológica de nitrogênio.
- Avanços no uso de vírus e fungos no controle biológico.
Anos 2000–2010
- Aumento do interesse por tecnologias sustentáveis, com incentivo à agricultura regenerativa.
- Avanço de startups e empresas voltadas ao desenvolvimento de biodefensivos e biofertilizantes.
A partir de 2020
- Criação da Política Nacional de Bioinsumos (PNB), em 2020, via Decreto nº 10.375/2020, reconhecendo os bioinsumos como instrumentos estratégicos para a agricultura brasileira.
- Incentivo à produção on farm (feita na própria fazenda) e estímulo à regulação simplificada.
2024/2025 – Marco Legal
- A Lei nº 15.070/2024, conhecida como a Lei dos Bioinsumos, regulamenta a produção, comercialização, uso e fiscalização dos bioinsumos, trazendo segurança jurídica, atratividade para investimentos e mais clareza para o mercado.
Produção de bioinsumos on farm?

Com o crescimento do uso de bioinsumos no campo, também vem ganhando atenção a produção on farm, ou seja: o preparo dos insumos biológicos dentro da própria fazenda, por iniciativa do produtor. A ideia, que vem sendo discutida amplamente nos últimos anos, promete economia e autonomia. Mas, como destaca a equipe técnica da Coopercitrus, o tema exige cautela.
“A proliferação de bactérias e fungos exige alto controle de qualidade. O ambiente ideal para multiplicar um fungo ou bactéria benéfica, como Trichoderma spp., também favorece a proliferação de microrganismos indesejados, como Salmonella spp. ou Enterococcus casseliflavus”, alerta Guilherme Caus, coordenador comercial de defensivos da Coopercitrus. Sem os devidos controles de qualidade, há risco de contaminação cruzada e perda de eficiência, ou até danos à lavoura.
Outro ponto crítico é o controle da concentração e qualidade microbiológica. Muitos produtores comparam o preço por litro do biológico feito na propriedade com o produto industrializado, mas a conta certa deve ser feita com base nas Unidades Formadoras de Colônia (UFC) por litro, a métrica que indica a concentração do microrganismo.
“Vamos a um exemplo. Suponha que o produto comercial normalmente utilizado tenha 1×10¹⁰ UFC por litro, e a recomendação técnica seja de 1 litro por hectare. Se o bioinsumo produzido na fazenda for analisado e apresentar apenas 1×10⁴ UFC por litro, seria necessário aplicar 1 milhão de litros por hectare para alcançar a mesma concentração de microrganismos no campo”, explica Caus.
Por isso, a recomendação da Coopercitrus é que o uso de produtos comerciais, desenvolvidos por empresas idôneas, com garantia técnica e respaldo legal, ainda é a forma mais segura e eficiente de adotar bioinsumos no campo.
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Bioinsumos + Tello: mais força para a vida no solo

Quando o assunto é ativar a biologia do solo, a combinação entre bioinsumos e fertilizantes biointeligentes pode fazer toda a diferença no resultado da lavoura. E os fertilizantes da Tello são um ótimo exemplo dessa sinergia.
Gustavo Civitereza, coordenador técnico da Tello, explica que os fertilizantes Biointeligentes criam o ambiente ideal para que os microrganismos presentes nos bioinsumos consigam sobreviver, se multiplicar e agir com mais eficiência.
“A matéria orgânica de alta qualidade, com pH neutro e alta CTC presente nos fertilizantes da Tello, atua como um condicionador biológico. A presença de ácidos orgânicos húmicos e fúlvicos e a matriz orgânica do Tello servem como substrato alimentar (carbono), criando um ambiente ideal para a sobrevivência e multiplicação dos microrganismos benéficos presentes nos bioinsumos, Trichoderma spp., Bacillus spp. e rizóbios” detalha Civitereza.
Além disso, o pH neutro do fertilizante é um diferencial importante: muitos bioinsumos são sensíveis a ambientes muito ácidos ou alcalinos. O pH equilibrado favorece a colonização da rizosfera, mantendo a atividade biológica por mais tempo.
Na prática, o produtor que aplica, por exemplo, um inoculante com Azospirillum brasilense vê uma resposta muito mais eficiente quando o solo já recebeu o fertilizante Tello. “Há maior sobrevivência, proteção contra estresse e energia para multiplicação inicial dos microrganismos”, explica Civitereza.
O uso da linha de fertilizantes da Tello se alinha ao conceito de saúde do solo, onde os três pilares — química, física e biologia — trabalham juntos, com nutrientes equilibrados, estrutura e CTC adequadas e ambiente biológico ativo e protegido.
[Casos de sucesso] diagramar como matérias complementares
Tecnologia com raízes

Produtor de cana e seringueira em Colômbia (SP), o engenheiro agrônomo Marcos Schrank integra sua vivência técnica com práticas sustentáveis para promover produtividade e longevidade no campo – e os bioinsumos são parte essencial desse modelo.
Bioinsumos não são novidade para Marcos Schrank. Ele já vivia esse universo muito antes de o tema ganhar espaço nas lavouras brasileiras. Nos anos 1980, ainda recém-formado, trabalhou na Embrapa de Londrina ao lado do Dr. Flávio Moscardi, um dos nomes que abriram caminho para o uso de defensivos biológicos no país. A experiência moldou sua visão e acompanha seu trabalho até hoje.
“Naquela época, a gente produzia o próprio baculovírus para controle da lagarta da soja, coletava as lagartas infectadas, congelava, batia no liquidificador e usava como bioinseticida. Era rudimentar, mas funcionava”, recorda-se.
Hoje, quatro décadas depois, Schrank continua na vanguarda, mas com tecnologias atualizadas. Ele produz cana-de-açúcar e seringueira em uma área de 480 hectares em Colômbia (SP) e integra diferentes estratégias biológicas ao sistema produtivo com olhar técnico, pragmático e sustentável.
“O bioinsumo nunca foi modismo. Agora, ele está mais acessível, tem empresa especializada, regulamentação e o produtor está mais aberto. O desafio hoje não é mais acreditar, mas saber aplicar.”
Schrank utiliza uma ampla variedade de produtos biológicos: nematóides entomopatogênicos para controle de pragas como o Sphenophorus, fungos entomopatogênicos como Beauveria e Metarhizium, inoculantes como Bradyrhizobium para fixação biológica de nitrogênio na soja, bactérias solubilizadoras de fósforo, bioestimulantes e extratos vegetais, além do uso de vespinhas (Trichogramma e Cotesia) lançadas por drone para controle da broca-da-cana.
“A gente tem que trabalhar com pacotes de soluções. Não existe bala de prata. Para ter controle sobre os Sphenophorus, por exemplo, combino químicos, fungos e nematóides, aplico na soqueira, solto vespinhas com drone… É preciso integrar tudo.”
Os resultados são evidentes. Segundo Schrank, mesmo em períodos drásticos como a seca de 2023, foi possível manter a produtividade média de 100 toneladas por hectare.
Para o produtor, um dos grandes trunfos dos bioinsumos está no retorno econômico, que vai além do corte nos custos diretos com químicos. “Hoje eu compro muito menos produto químico do que há alguns anos. Uso o químico pontualmente e combino com biológicos. Em várias áreas, substituí o NPK convencional por compostos produzidos na própria fazenda.”
A aposta em bioinsumos também se estende à sua iniciativa de produção de composto orgânico bioativado (COBA), um insumo feito a partir de resíduos agroindustriais, enriquecido com carga microbiana e nutrientes.
“É mais do que um composto. A gente ativa biologicamente antes de aplicar, com fontes de carbono, micronutrientes e revolvimento. Isso dá um impacto enorme no solo, especialmente em áreas com soqueiras mais antigas.” Por ora, a produção é para uso próprio, mas o plano é escalar.
Bioinsumo não é produto “simples”
Embora reconheça os ganhos e a consolidação da estratégia no mercado, Schrank alerta que o uso de bioinsumos é extremamente técnico.
“É tecnologia de ponta. Muitos produtos são sensíveis; outros dependem de umidade ou da presença da praga para agir. A aplicação precisa ser no momento certo, com os equipamentos certos e com suporte técnico. Não dá pra sair jogando.”
Ele lembra que o conhecimento está se difundindo com velocidade, e que até produtores iniciantes já têm acesso a boas práticas, graças ao suporte técnico da Coopercitrus e ao aumento da competitividade no mercado.
“Hoje a Coopercitrus tem um portfólio enorme de bioinsumos. As grandes empresas do setor químico já criaram divisões biológicas. É uma tendência irreversível. Quem ainda não começou, com certeza ainda vai usar”, afirma.
Para os produtores interessados, especialmente os que ainda não adotam bioinsumos, Schrank recomenda começar com orientação técnica e áreas de testes. E reforça que é preciso alinhar expectativas com a realidade da propriedade. “Tem que conhecer o solo, entender o que se quer resolver e seguir um manejo integrado. Os biológicos são aliados, mas não fazem milagre sozinhos”, finaliza o cooperado.
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Planta saudável, bolso saudável

Caio Vaz Prudente Corrêa, produtor de citros, cana e grãos em Terra Roxa (SP), representa a nova geração do agro. Com foco absoluto em resultados, ele enxerga os biológicos como parte de um pacote de estratégias para aumentar a rentabilidade com inteligência e equilíbrio
“Meu interesse [pelos bioinsumos] foi puramente financeiro.” A frase direta, quase provocativa, é o ponto de partida do raciocínio do cooperado, que faz parte da terceira geração da família na atividade rural. Administrador de formação, ele começou a se envolver com a produção agrícola em 2019, e desde então passou a buscar formas de melhorar o desempenho da lavoura. “Vi que a fazenda não estava me dando o retorno proporcional ao valor da terra. Eu precisava aumentar a produtividade de forma eficiente”, revela
Foi aí que ele iniciou uma busca por soluções diferentes, partindo de um princípio da saúde do solo para aumentar a produtividade.
“Comecei a pesquisar muito sobre biologia do solo. Do mesmo jeito que um corpo humano precisa estar bem para absorver nutrientes e medicamentos, o solo também precisa estar saudável para a planta aproveitar o que a gente aplica. Isso mudou minha forma de pensar.”
Corrêa começou a aplicar bioinsumos principalmente para melhorar o solo e prevenir doenças, sem abandonar os defensivos químicos. Em áreas de soja e sorgo, testou bionematicidas e defensivos biológicos, buscando mais equilíbrio no manejo. Os resultados, embora não sejam isoladamente atribuídos ao uso dos biológicos, chamaram atenção inclusive de fornecedores.
“Na soja eu tive aumento de produtividade, mas com muitas variáveis envolvidas. Agora, no sorgo, bati um recorde de produção. A empresa que me vendeu a semente ficou surpresa e veio até aqui conversar. Além dos bioinsumos, usei tudo que tem de mais moderno.”
A lógica, segundo ele, é de somatória de práticas, não de substituições. “Não estou tentando salvar o mundo com insumos ‘do bem’. Só quero extrair o melhor da tecnologia. E se um produto biológico traz benefícios, sem agredir o solo, por que não usar?”, questiona.
O salto veio no citrus, cultura que, segundo Corrêa, exige mais paciência e investimento. Em um talhão cercado por áreas com alto índice de greening, ele decidiu fazer o teste em condições que define como “modo hard”.
“Se era pra testar, queria fazer do jeito mais completo. Peguei uma área que já estava com pressão de greening e fui com tudo: protocolo de pulverização rotativa, adubação a cada 45 dias, três bioinsumos focados em enraizamento e fortalecimento da planta.”
Como resultado, plantas de dois anos e meio estavam com vigor, copa e produtividade superiores às de cinco anos. “Não posso dizer que foi só por causa dos bioinsumos, mas a diferença na saúde das plantas é visível. Nunca tive um pomar assim.”
“Hoje eu entendo que o combate ao greening não é só com inseticida. É com planta forte. Eu preciso de raízes saudáveis, profundas, com boa capilaridade. O biológico me ajuda nisso. Eu não conheço outro produto que promova esse tipo de desenvolvimento radicular com esse custo-benefício.”
Números no centro das decisões
Com raciocínio lógico e base gerencial, Corrêa não romantiza a adoção de novas tecnologias. Ele faz contas, testa hipóteses e aceita que nem sempre o retorno é imediato ou positivo. Na sua experiência com milho para silagem, por exemplo, gastou R$ 35 mil em defensivos biológicos para uma área de 60 hectares, mas terminou o ciclo praticamente no zero a zero por conta da queda nos preços de mercado.
O cooperado não tem dúvida de que os bioinsumos vieram para ficar, mas defende que seu uso exige planejamento, assistência técnica e integração com o sistema de produção. “O citrus hoje não permite mais erros. Ou você faz tudo bem feito, ou nem começa. Não adianta gastar 5 reais num insumo se a planta só vai conseguir absorver 3 porque o solo está desestruturado. É dinheiro jogado fora.”
Para ele, o uso de tecnologias biológicas não é uma escolha isolada, mas parte de um modelo mais moderno, técnico e consciente de fazer agricultura. E o produtor precisa ser tratado como gestor. “Eu quero produzir mais, mas quero produzir direito. A gente precisa enxergar a fazenda como uma empresa e o solo como um organismo vivo. Isso muda tudo.”
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Raízes firmes, visão de futuro

Com uma trajetória consolidada e a vivência de quem viu o agro se transformar, José Osvaldo Junqueira Franco aposta nas tecnologias biológicas como caminho para fortalecer o solo, equilibrar o sistema produtivo e garantir resiliência à lavoura.
Produtor de cana-de-açúcar em Bebedouro (SP), Franco é o retrato do agricultor que alia experiência de campo, mentalidade aberta e visão de longo prazo. Com cerca de 300 hectares cultivados, ele começou a usar os bioinsumos há três anos, com o objetivo de melhorar o desempenho das lavouras e ampliar o cuidado com a saúde do solo.
Embora as análises física e química do solo já fizessem parte da rotina, ele percebeu que a dimensão biológica ainda era pouco explorada.
“A gente sempre observa a textura, o pH, os nutrientes. Mas, muitas vezes, deixamos de lado a parte biológica do solo, que é fundamental. Os bioinsumos vieram para preencher essa lacuna e complementar a ação dos fertilizantes”, explica o cooperado, que integra o programa Regenera, voltado à recuperação e ao equilíbrio biológico do solo.
Benefícios que vão além da safra
Franco observa que os resultados são graduais, mas consistentes. “A evolução é paulatina. Conforme o ambiente vai se equilibrando biologicamente, a cana responde melhor. Ela se desenvolve com mais vigor”, relata.
Mesmo em anos difíceis, como a última safra marcada por chuvas irregulares, ele notou ganhos em resiliência. “O comportamento da planta muda. Quando o regime de chuvas ajuda, a produtividade sobe com clareza.”
Convicto dos benefícios, o cooperado acredita que fungicidas biológicos, nematicidas e outros agentes biológicos tendem a se consolidar no manejo. “É o caminho natural. O produtor moderno vai precisar trabalhar com isso.”
Uma vida entre números e lavoura
Engenheiro financeiro por formação, Franco carrega no sangue a tradição do agro e do cooperativismo. Seu pai foi o cooperado número 18 da Coopercitrus, e ele próprio ingressou na cooperativa em 1975, quando adquiriu sua primeira propriedade.
Dedicou-se à citricultura durante anos, até que o avanço do greening inviabilizou a atividade. “Plantávamos novas mudas e, antes de entrarem em produção, a doença já dominava. Não tinha como seguir”, lembra. Desde 2016, a cana-de-açúcar se tornou a cultura principal da fazenda.
Hoje, com décadas de experiência e disposição para inovar, ele acredita que as tecnologias biológicas são determinantes para garantir resiliência à lavoura.
“Temos que procurar novas alternativas e dar atenção a todos os aspectos da cultura. Não só os químicos e físicos, mas, principalmente, os biológicos”, afirma.






