CULTURAS

Estria vermelha e broca-da-cana: dois desafios que exigem atenção no campo

Reconhecimento precoce, monitoramento e manejo integrado ajudam a preservar produtividade e qualidade da matéria-prima

Desenvolvimento Técnico de Mercado – Cana-de-Açúcar | Coopercitrus

Cristiano José do Amaral • Fábio Cordeiro Silva • Raphael dos Santos Alves

A produtividade do canavial depende de uma combinação de fatores: genética, ambiente, nutrição, manejo e sanidade. Entre os problemas fitossanitários que merecem acompanhamento estão a estria vermelha, doença bacteriana que pode comprometer folhas e o ponteiro, e a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), praga capaz de abrir galerias no colmo e favorecer perdas agrícolas e industriais. Embora tenham naturezas diferentes, os dois problemas compartilham um princípio de manejo: reconhecer cedo, monitorar a evolução e tomar decisões com base na situação real de cada talhão.

Esta matéria reúne e amplia as informações de campo já levantadas pela equipe de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Coopercitrus, organizando os principais sintomas, condições favoráveis, impactos e estratégias de manejo para apoiar produtores e equipes técnicas na tomada de decisão.

Estria vermelha: quando as folhas sinalizam o problema.

A estria vermelha é uma doença bacteriana associada a Acidovorax avenae. A Embrapa descreve sua ocorrência como de importância secundária em termos gerais, mas com impacto econômico em áreas de São Paulo e Paraná, quando ambiente, fertilidade, suscetibilidade varietal e desenvolvimento da cultura favorecem a doença. O quadro pode variar desde sintomas foliares até podridão do topo, situação de maior severidade.

Estrias finas e alongadas, de coloração avermelhada, acompanhando as nervuras foliares. 

Sintomas: o que observar.

O primeiro sinal normalmente é o aparecimento de estrias estreitas, compridas e avermelhadas ou marrom-avermelhadas, paralelas às nervuras. As lesões podem ocorrer nas duas faces da folha e, à medida que avançam, coalescer e formar áreas maiores de necrose e secamento. Outro sinal útil é a exsudação bacteriana, que pode aparecer sobre as lesões como pequenas deposições esbranquiçadas, especialmente na face inferior.

Exsudação bacteriana associada às lesões foliares. 

Nos casos mais severos, a doença alcança o cartucho e o meristema apical, causando a chamada podridão de topo. O tecido torna-se úmido e apodrecido, podendo ocorrer morte do perfilho. Em estágios avançados, pode haver odor forte e desagradável, característica já observada e registrada no material de campo da equipe.

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