Artigo Feito por: Fabio Cordeiro Silva, Raphael dos Santos Alves e Cristiano José do Amaral
A Mahanarva fimbriolata, conhecida popularmente como cigarrinha das raízes, é uma praga com grande importância econômica para a cultura da cana-de-açúcar. A praga apresenta grande potencial de dano, que pode gerar perdas de até 80% na produtividade do canavial em condições de altas infestações. Além da perda de produtividade pode também ocorrer contaminações dos processos industriais devido à deterioração da cana no campo.
A incidência da cigarrinha aumentou significativamente nos últimos anos devido à colheita mecanizada crua, pois o acúmulo de palha ajuda a manter a umidade no solo, favorecendo o desenvolvimento da praga.
As ninfas da cigarrinha das raízes produzem uma espuma na base dos colmos e se alimentam das seivas (xilema e floema) das raízes superficiais no nível do solo ou até abaixo dele (períodos de veranico), e se mantêm protegidas até atingirem a fase adulta. Surgem após as primeiras chuvas no início da primavera, quando devem ser iniciados os levantamentos.
O ciclo de vida da cigarrinha dura, em média, 80 dias. Nesse período, ela passa por três fases de desenvolvimento: ovos, ninfas e adultos. No período seco os ovos entram em diapausa, e permanecem assim até que as condições de umidade sejam favoráveis. Com a chegada do período úmido, aliado às elevadas temperaturas, as ninfas emergem dos ovos e atacam as raízes, onde se alimentam na base do colmo, sugando a seiva da planta durante 40 dias, em média.
Ao se alimentarem, as ninfas alteram a fisiologia das plantas, pois, ao picarem, atingem o xilema da raiz, que se deteriora, dificultando ou impedindo o fluxo de água e nutrientes. Com a morte de raízes, ocorre a desidratação do floema e do xilema, que deixarão o colmo oco, afinado e enrugado. Os adultos, ao injetarem toxinas na alimentação, produzem pequenas manchas amarelas nas folhas, que se tornam avermelhadas e depois opacas, reduzindo a fotossíntese e a sacarose no colmo. As picadas favorecem a entrada de micro-organismos na seiva, causando deterioração de tecidos, o que pode levar ao secamento das plantas. Ocorre brotação lateral, enraizamento aéreo e queda de folhas inferiores, dando à planta um aspecto de palmeira. De 3 a 5 ninfas por metro linear em cana que será colhida no fim de safra (novembro) é o nível de dano econômico para a maioria das variedades (DINARDO-MIRANDA; GIL, 2007), mas algumas só são prejudicadas com mais de 16 ninfas por metro.

Sintoma do ataque de cigarrinha nas folhas da cana
Locais e informações de onde são encontradas as fases de desenvolvimento da cigarrinha.
| Fase | Local onde é encontrado | Informações |
| Ovos | Nas bainhas, próximos à base das touceiras na presença de palha | Em média, cada fêmea pode ovopositar 340 ovos. Possuem formato alongado e logo após a ovoposição têm coloração amarela. À medida que os embriões se desenvolvem, vão ficando mais escuros. A eclosão das ninfas ocorre 20 dias após a postura. |
| Ninfas | Na base das plantas, em raízes superficiais ou até 5 cm abaixo do solo, em bainhas e folhas próximas ao solo | Fixam-se nas radicelas da cana, onde começam a sugar a seiva e a produzir uma espuma formada por líquidos excretados através da seiva sugada. A espuma é utilizada como cobertura, proteção e isolante térmico. Dependendo das condições climáticas essa fase pode durar, em média, cerca de 40 dias. |
| Adultos | Nas folhas das plantas, cartuchos e base das touceiras | Os machos apresentam coloração que vai de vermelho vivo a amarelo palha, predominando a coloração vermelho vivo. As fêmeas são de coloração marrom escuro com listas escuras. São insetos de hábitos noturnos, ficando escondidos dentro dos cartuchos durante o dia ou na parte inferior das folhas. São insetos mais saltadores do que voadores. Ao se alimentarem, injetam toxinas nas plantas. Apresentam longevidade de, aproximadamente, 20 dias. |
O monitoramento da cigarrinha das raízes se inicia no período úmido, a partir das primeiras chuvas (outubro a março)
Para o monitoramento do talhão, deve-se levantar 1,2 pontos/ha, sendo cada ponto composto por 2 metros lineares, ou seja, realizar o levantamento de 2 metros por ponto. O controle deve ser realizado quando, na média do talhão, apresentar índice de controle de 2 ninfas/metro.
Para se obter um bom controle da praga, o manejo das áreas deve integrar todas as ferramentas disponíveis, utilizando os métodos físicos, culturais, biológicos e químicos.
O método físico consiste na remoção do excesso de palha da linha de cana (desaleiramento), deixando a área onde a praga se desenvolve mais seca e exposta as condições climáticas, auxiliando também no maior contato com o alvo em controles químicos e biológicos.

Comparativo de área desaleirada com palha em área total
O controle cultural é realizado com a utilização de variedades mais tolerantes e precoces, sendo a nutrição um importante fator para um bom desenvolvimento e resistência da cultura.
O manejo biológico apresenta resultados muito positivos para o controle da cigarrinha, onde o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae tem se mostrado muito eficiente e com ótima redução das populações, sendo uma ferramenta importante para o início do período úmido, quando o monitoramento aponta a presença de até 1 ninfa/m.

Fungo Metarhizium aninopliae colonizando cigarrinha adulta
Já o controle químico é uma ferramenta primordial no manejo da cigarrinha, especialmente em canaviais colhidos a partir de agosto (que sofrem maiores danos provenientes do ataque da praga) e naqueles severamente infestados (DINARDO-MIRANDA et al.,2000). Por ter maior eficiência e facilidade operacional, é comum que, em grandes áreas, este seja o método mais utilizado, consistindo na aplicação terrestre ou aérea de inseticidas que vão agir de forma sistêmica na planta e atuar nas fases de ninfas e adultos. Por fim, é válido ressaltar que, devido ao aumento da resistência de populações de cigarrinha aos inseticidas, podem ser necessárias duas ou três aplicações para o controle em áreas de infestações mais elevadas, além da rotação de produtos químicos.

