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Manejo ecológico de pragas do tomate: economiza e sustentabiliza

Os sistemas MIP/MEP não são apenas junção de ferramentas e sim atitudes dinâmicas pelas quais se considera os inimigos naturais das pragas do tomate, incluindo-os nas planilhas de campo para uso do Nível-de-Não Ação e de Ações Seletivas ao aplicar pesticidas. Atitudes também no uso de inimigos naturais em programas de liberações de predadores, parasitoides (macrobiodefensivos) e entomopatógenos (microbiodefensivos) além de atenção redobrada em táticas de manejo ambiental em que se considera que todo ambiente pode ser equilibrado e biodiverso. Com o passar do tempo foi se fortalecendo a ideia de MEP substituindo o MIP, mas na prática ficava mais difícil porque em cada tipo de cultura surgia um problema de praga mais grave como as brocas, traças e principalmente vetores de viroses no tomate. Mesmo assim nunca se desistiu de incrementar mais táticas ecológicas como os níveis de não-ação, manejo ambiental e os micro e macro biodefensivos na prática do manejo.

CAMPOS DEMONSTRATIVOS. Enquanto estive na universidade, reforçamos a ideia que era possível a prática de MIP Tomate no Brasil e demos início a pesquisa e desenvolvimento de estratégias e táticas de manejo para a difícil tarefa de redução do número de 36 pulverizações dos cultivos estaqueados e 16 dos rasteiros. Foram vários campos demonstrativos espalhados pelo Estado de São Paulo e às vezes fora do Estado. Os primeiros campos foram em Cosmópolis (SP) realizados com apoio de uma empresa na época, implantados em maio de 1997, tomate de crescimento indeterminado (estaqueado) e em todos eles o esquema era de blocos pareados A-MEPD (Manejo Ecológico de Pragas e Doenças) e B-MCPD (Manejo Convencional de Pragas e Doenças) com avaliação de insetos, ácaros pragas e inimigos naturais. Conclui-se que com o MEPD obteve-se redução do uso de pesticidas em 45% em relação ao MCPD, baseado no programa de calendário usado pelo produtor. Em seguida, também com apoio da mesma empresa, sob comando do Colega Hideo Dodo e com apoio do Instituto Nacional de Tecnologia, sob orientação de Irene Baptista de Alleluia, montamos campos demonstrativos em Paty de Alferes (RJ). A redução do uso de inseticidas foi de 38%. Conseguimos com MEPD reduzir em 62% o uso de inseticidas e 26% na de fungicidas. Os campos seguintes foram em Mogi Guaçu (SP), em março de 1998. Foram na propriedade do Sr. Clovis Ferreira Filho. Já a redução do uso de inseticidas no MEPD foi menor, mas houve, 15% de inseticidas e 6% de fungicidas. O campo seguinte foi de crescimento determinado, em Araçatuba (SP), em maio de 2000. Foram instalados blocos pareados comparando-se o MEP, sistema da Gravena Ltda com o MCP, sistema do produtor. O uso de inseticidas com o MEP foi de 10 pulverizações e 19 na do MCP, com redução de 48%. O importante é que neste tempo de estudos, alguns produtores significativos foram adotando o sistema MEP e dois deles foram clientes da Gravena Ltda por mais de 20 anos tendo como consultor agregado o Dr. Sergio Benvenga (na foto), nosso colaborador desde a fundação da Gravena. Atualmente ele atua como consultor independente. Esses produtores foram o Mallmann e os Irmãos Andrades.

PESQUISA E CONCLUSÃO. Os vários campos demonstrativos foram unânimes em reduzir significativamente o número de pulverizações, mas para não ter dúvida nenhuma das vantagens científicas do MEP em relação ao MCP instalamos 2 ensaios de comparação dos sistemas MIP-Tomate em blocos casualizados com 6 repetições sendo um no sistema indeterminado no Sítio Horto Florestal, Jaboticabal (SP) e outro no sistema determinado do Sítio Santa Clara, Monte Alto (SP). O primeiro estava circundado por áreas naturais de matas sem tomate, portanto sem imigração de mosca branca e outras pragas do tomate. Do MIP-Gravena para o MCP-Fabricante a redução das pulverizações foi de 73% e com produção do MIP em 7% a mais. O segundo que foi instalado entremeio a outras plantações de tomate de outras safras também com intensa imigração de mosca branca e outras pragas do tomate, foi inutilizada não chegando ao fim do ciclo. Este resultado do estudo foi perfeito para alertar os produtores, principalmente os arrendatários, para destruição imediata dos restos de cultura e adotar rotação para interromper tais imigrações. Conclui-se que o grande gargalo na eficácia de sistemas ecológicos é justamente a tiguera de tomate entre um plantio e outro. É o maior entrave que nós temos e tivemos na história dos estudos e desenvolvimento dos sistemas de MIP e MEP do tomate no Brasil e no mundo.

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