Autores: Time DTM Cana-de-Açúcar
Cristiano José do Amaral
Fábio Cordeiro Silva
Raphael dos Santos Alves
O plantio da cana-de-açúcar é uma etapa de extrema importância e que exige planejamento técnico para garantir a máxima produtividade e longevidade do canavial, gerando rentabilidade ao produtor.
Para definir e executar os processos de reforma em tempo hábil, precisamos de planejamento e antecedência. O processo começa com a escolha das áreas — geralmente canaviais mais velhos, com falhas e alta presença de pragas e plantas daninhas, e que já não entregam a produtividade mínima esperada. Trabalhar com esse cronograma estendido nos dá a margem necessária para uma execução eficiente.
Os principais pilares técnicos a serem considerados são:
Dessecação da Área
A dessecação da área a ser reformada é uma etapa importante para a erradicação eficiente da soqueira e controle do banco de sementes das plantas daninhas infestantes.

Área dessecada
Tratos Fitossanitários e Controle de Pragas e Plantas Daninhas
Devemos dar atenção especial às áreas com infestação de plantas daninhas que exigem controle específico. É o caso da grama-seda, para a qual é necessário um protocolo sequencial e assertivo para controle. Além da grama-seda, é preciso ficar atentos às infestações de pragas de solo como, por exemplo, o Sphenophorus, para a qual se recomenda a realização de destruição mecânica de soqueira e controles específicos com inseticidas. No caso de presença da grama-seda e do Sphenophorus não é recomendado o plantio de Meiosi ou cana sobre cana na área; ela deve ficar em pousio (no caso da grama-seda) e com plantio de rotação de cultura, como o mix de sementes, soja ou amendoim (em áreas com infestação de Sphenophorus), visando a quebra do ciclo da praga em questão.
Rotação de Cultura com Soja
Preparo do Solo, Correção e Sistematização
O preparo do solo para o plantio de cana-de-açúcar é uma etapa fundamental para garantir a longevidade do canavial e a alta produtividade. Dentro das bases necessárias para um bom preparo e um bom plantio, podemos destacar:
- Análise de Solo e Aplicação de Corretivo: Coleta de amostras (geralmente em camadas de 0-25 cm e 25-50 cm) para determinar a necessidade de correção de acidez por Alumínio (Al), como calcário e gesso, fornecendo Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S), assim como para identificar as quantidades de nutrientes presentes do solo para que os fertilizantes corretos possam ser recomendados para o plantio.

Exemplo dos resultados da análise de solo

Aplicação de Corretivos
- Preparo do solo: Utilização de métodos físicos como aração, gradagem e subsolagem visando o revolvimento e incorporação dos restos culturais (como por exemplo a palhada e as soqueiras do ciclo anterior), o destorroamento da área e a redução da compactação do solo, melhorando a infiltração de água e possibilitando o enraizamento.
Gradagem

Subsolagem
- Sistematização e Conservação de Solo: Correção da topografia, realocação dos carreadores, melhora do layout dos talhões, determinação dos locais corretos e necessários para a construção de terraços embutidos ou terraços de base larga passantes conforme a declividade do terreno, visando controle de erosão e infiltração de água, melhorando a colheitabilidade e o rendimento de todas as operações agrícolas.
Início da sistematização
Terraço embutido
Terraço de base larga passante

Área sistematizada
Plantio
Alocação Varietal e Época de Colheita: Para a determinação da variedade a ser plantada, é importante ter a classificação dos ambientes de produção, que variam de A (ambientes mais produtivos) a E (ambientes menos produtivos), pois cada variedade responde melhor a um determinado tipo de ambiente. Além dos ambientes de produção, é necessário conhecer a época de colheita, pois cada variedade tem seu ciclo de maturação, podendo ser precoces, médias ou tardias. É fundamental a utilização de mudas provenientes de viveiros sadios, livres de pragas e doenças.
Época de colheita × Ambientes de produção
Nutrição e Defensivos
A nutrição de base, na sulcação, é de extrema importância, pois define o potencial produtivo do canavial para os anos seguintes. A adubação no plantio é focada nos macronutrientes minerais nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), sendo o P e o K primordiais nessa fase, necessitando de maiores quantidades. Além da adubação com os macronutrientes, é necessário fornecer micronutrientes para a cultura, como boro (B), zinco (Zn), molibdênio (Mo), manganês (Mn) e cobre (Cu). Os micronutrientes podem ser aplicados junto com produtos que estimulam o enraizamento, normalmente contendo fitormônios, extratos de algas e precursores de crescimento, que melhoram o vigor, a sanidade e a resistência das plantas.
Fertilizantes organominerais são uma alternativa eficiente e sustentável, pois combinam uma matriz orgânica com nutrientes minerais que liberam os nutrientes gradativamente. Além disso, não acidificam o solo e proporcionam maior retenção de água, estimulando a atividade microbiana do solo e melhorando sua microbiota, resultando em ganhos comprovados de produtividade.Para o controle de pragas de solo e doenças, é de extrema importância que sejam utilizados inseticidas, fungicidas, nematicidas (químicos ou biológicos) na cobrição das mudas.

Recomendações nutricionais de plantio (Fonte: Boletim 100)
Sistemas de Plantio
- Plantio Convencional Mecanizado: O corte das mudas é realizado com colhedoras, ou seja, as mudas são picadas em toletes. Após o corte, as mudas são transportadas até as plantadeiras que realizam toda a operação de plantio, ou seja, sulcagem, aplicação de fertilizante e defensivos, distribuição das mudas e cobertura de sulco, ficando a área já pronta.
Plantio mecanizado - Plantio convencional manual: As mudas são cortadas manualmente por trabalhadores rurais e a cana fica inteira. Após o corte, as mudas são transportadas e descarregadas nas áreas. Em seguida, são distribuídas manualmente nos sulcos que já foram abertos com um trator equipado com o sulcador, distribuindo o fertilizante. Após a distribuição, elas são picadas manualmente e, posteriormente, um trator com o implemento cobridor aplica os defensivos (inseticidas, nematicidas, enraizadores e micronutrientes) e cobre os sulcos.
Sulcação e aplicação de fertilizantes (N-P-K)
Mudas distribuídas nos sulcos de plantio
Aplicação dos defensivos e cobrição das mudas
- MEIOSI (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente): Técnica onde linhas-mãe são plantadas para futura expansão na própria área, reduzindo custos logísticos e permitindo o plantio de culturas intercalares (como soja, amendoim ou mix de sementes) como rotação de cultura;
Linhas-mães de Meiosi
Meiosi com plantio de soja como rotação de cultura
- MPB (Mudas Pré-Brotadas): Pode ser realizado de forma manual ou mecanizada, sendo ideal para formação de viveiros na forma de Meiosi e áreas de alta produtividade, garantindo sanidade superior e uniformidade de estande.
Plantio de linha-mãe de Meiosi com MPB.
Como podemos observar, o plantio de cana passa por várias etapas como o planejamento prévio das áreas, análises de solo, processos operacionais de preparo de solo e sistematização, aplicação de corretivos, escolha das variedades e escolha do tipo de plantio, podendo ser manual, mecanizado ou na forma de Meiosi. Não podemos esquecer da necessidade de utilização de mudas sadias, oriundas de viveiros que não tenham problemas com pragas, doenças e misturas varietais. Além disso, a utilização de produtos de qualidade como fertilizantes e defensivos é de extrema importância para o sucesso do canavial implantando.

