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Geraldo Melo Filho assume Agricultura de SP com foco em competitividade, sustentabilidade e diálogo com o produtor

O novo ciclo do agro paulista: modernização, segurança jurídica e a força do cooperativismo

O ano de 2026 começou com novos rumos para a agricultura em São Paulo. À frente da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado está Geraldo Melo Filho, economista com sólida trajetória na formulação de políticas públicas voltadas ao campo. 

Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), produtor rural e com ampla trajetória na gestão pública e no agronegócio, o novo secretário acumula passagens pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), CNA (Confederação da Cultura e Pecuária do Brasil), Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA). Ele foi convidado pelo governador Tarcísio de Freitas para assumir a pasta com a missão de dar continuidade à agenda de modernização, competitividade e sustentabilidade iniciada na gestão anterior.

Defensor da tecnologia como ferramenta de inclusão produtiva e da regularização fundiária como base da autonomia no campo, Melo Filho pretende transformar a Secretaria em uma estrutura digital, eficiente e mais próxima do produtor. Nesta entrevista exclusiva à Revista Coopercitrus, ele compartilha sua visão sobre os caminhos para um agro mais forte, inovador e seguro, além de reafirmar o papel das cooperativas como parceiras estratégicas do desenvolvimento rural.

Coopercitrus – Qual é a sua missão principal à frente da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo e quais considera os maiores desafios e oportunidades para o setor nos próximos anos?

Geraldo Melo Filho – A missão central é dar continuidade a uma trajetória de resultados, mas com a consciência de que o agro opera em um ambiente altamente competitivo e dinâmico. São Paulo já se consolidou como potência agropecuária, responsável por mais de 40% das exportações do Estado e por um superávit superior a US$ 23 bilhões, mas esses números não se sustentam por inércia.

O desafio é acompanhar a velocidade das transformações no campo, ouvindo mais quem produz e reagindo com políticas públicas mais ágeis, duradouras e eficientes. A grande oportunidade está em produzir mais com sustentabilidade, competitividade e responsabilidade social, reforçando o papel do Estado como indutor do desenvolvimento rural e da inovação.

Coopercitrus – O senhor defende que o Estado deve atuar como facilitador. O que o produtor pode esperar em termos de desburocratização, digitalização de serviços e acesso mais simples ao crédito e políticas públicas?

Geraldo Melo Filho – O produtor pode esperar um esforço firme de modernização da máquina pública. É preciso previsibilidade no campo para que haja mais potencial produtivo. Esse objetivo passa por integrar cadastros, simplificar procedimentos e avançar na digitalização, que não pode mais ser considerada como uma meta complementar. É uma obrigação e precisa estar integrada às prioridades do que vamos entregar. O papel do Estado é facilitar, não complicar, criando condições para que o produtor tenha acesso mais rápido ao crédito, às políticas públicas e às ferramentas necessárias para investir e crescer com segurança.

Coopercitrus – A Coopercitrus investe em bioinsumos, agricultura de precisão e soluções sustentáveis. Como o governo estadual pode incentivar os produtores que apostam na agricultura regenerativa e na inovação tecnológica?

Geraldo Melo Filho – O Governo de São Paulo vem atuando para incentivar produtores que apostam na agricultura regenerativa e na inovação tecnológica, como faz a Coopercitrus. A atuação vai desde financiamento estruturado à pesquisa aplicada em bioinsumos e sustentabilidade. Este primeiro tem como foco o crédito rural orientado à sustentabilidade. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), financia diretamente a agricultura de precisão, o desenvolvimento rural sustentável e tecnologias de baixo impacto ambiental, com linhas específicas para diferentes culturas e perfis de produtores. Desde 2023 já foram investidos mais de R$ 830 milhões em agricultura sustentável, permitindo que o produtor adote sensores, mapas de produtividade, manejo inteligente do solo, energia renovável e sistemas mais eficientes de produção.

Segundo, pelo fortalecimento da ciência e da inovação em bioinsumos. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio da APTA e seus institutos vinculados, mantém uma ampla rede de pesquisas aplicadas em biofertilizantes, biodefensivos e controle biológico. Esses trabalhos vão desde o uso de microrganismos benéficos na cana, milho, citros e soja, até soluções inovadoras como bioinsumos para a pecuária, aquicultura, vitivinicultura orgânica e até macroalgas que viram biofertilizantes e biocombustíveis.

Coopercitrus – A regularização fundiária é uma das suas principais bandeiras. O que está previsto para garantir segurança jurídica e acesso pleno a crédito, seguro e políticas públicas no campo?

Geraldo Melo Filho – A regularização fundiária é um pilar fundamental para garantir segurança jurídica, inclusão produtiva e acesso pleno às políticas públicas no campo. Nos últimos anos, São Paulo avançou de forma inédita neste tema, com a entrega de cerca de 5 mil títulos de regularização fundiária, beneficiando aproximadamente 75% das famílias assentadas do Estado.

Esse avanço transforma a posse em direito formal, permitindo que o produtor rural tenha acesso efetivo a crédito, seguro rural, regularização ambiental, assistência técnica e programas governamentais, além de estimular investimentos, aumentar a produtividade e fortalecer a permanência das famílias no campo. O que está previsto é dar continuidade e escala a esse processo, ampliando a regularização como uma ferramenta de autonomia econômica, geração de renda e desenvolvimento regional, integrando a política fundiária às ações de crédito, sustentabilidade e inovação tecnológica no meio rural.

Coopercitrus – A conectividade ainda é um desafio para muitos produtores. Existem ações conjuntas com outras secretarias para expandir o acesso ao 5G ou internet nas áreas rurais mais remotas?

Geraldo Melo Filho – A conectividade está diretamente ligada à agenda de modernização do Estado. A superação de sistemas isolados, a integração de políticas e o alinhamento entre secretarias são condições essenciais para ampliar o acesso digital no meio rural. O agro não se resolve dentro de uma única pasta. Infraestrutura, inovação, desenvolvimento regional e tecnologia precisam caminhar juntos para que a conectividade chegue ao campo como ferramenta de produtividade, gestão e inclusão.

Coopercitrus – O senhor participou de discussões recentes sobre sustentabilidade e transição energética. Como São Paulo pode liderar o mercado de carbono rural e fortalecer sua posição como referência em bioenergia?

Geraldo Melo Filho – São Paulo já reúne os elementos necessários para liderar esse processo: escala produtiva, base técnica sólida e experiência em políticas ambientais. O avanço na implementação do Código Florestal, com os 200 mil CARs validados, cria as condições para integrar produção, conservação e geração de valor ambiental. Ao fortalecer sanidade, pesquisa, inovação e organização setorial, o Estado consolida o agro como força econômica, ambiental e social, capaz de protagonizar o mercado de carbono rural e ampliar sua liderança em bioenergia.

Como a Secretaria pretende apoiar a diversificação de culturas em regiões que precisam de novas alternativas de renda, especialmente para pequenos e médios produtores?

Geraldo Melo Filho – O apoio à diversificação de culturas passa por políticas estruturantes e de longo prazo, pensadas justamente para dar flexibilidade produtiva ao agricultor paulista. São Paulo conta hoje com uma estrutura de crédito que permite a transição produtiva, especialmente em situações de dificuldade econômica ou fitossanitária. Por meio do FEAP, o produtor pode acessar linhas voltadas à implantação de novas culturas, seja para diversificar a renda, fazer rotação de culturas ou até substituir uma atividade que deixou de ser viável.

Esse apoio é independente da cultura original, desde que o produtor apresente um novo projeto produtivo com justificativa técnica e viabilidade econômica comprovada, garantindo que a transição seja sustentável do ponto de vista ambiental, financeiro e social.

Coopercitrus – Para o cooperado da Coopercitrus, qual é o seu compromisso direto com ele neste novo ciclo do agro paulista?

Geraldo Melo Filho – O compromisso é construir soluções que durem, com diálogo permanente, base técnica sólida e visão de futuro. O cooperado pode esperar um Estado que escuta mais, reage melhor e trabalha de forma integrada com cooperativas e o setor produtivo. Mais do que administrar políticas públicas, a Secretaria seguirá atuando para que o agro paulista continue sendo uma força que gera renda, preserva o meio ambiente e beneficia toda a sociedade que depende do que vem do campo.

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