CULTURAS

Importância da tecnologia de aplicação na citricultura

O sucesso no controle de pragas e doenças na citricultura depende de uma série de fatores, especialmente a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas. De nada vale adquirir o melhor inseticida ou fungicida se, quando utilizá-lo, falta conhecimento sobre como, onde e quando aplicá-lo para obter o melhor resultado. Durante a pulverização, existe uma ampla diversidade de fatores que interferem na deposição do produto no alvo de forma eficiente e econômica. Neste artigo, abordaremos os principais aspectos para o sucesso do manejo fitossanitário na citricultura.

REGULAGEM e CALIBRAGEM, qual a diferença ?

Regulagem consiste em ajustar os componentes do trator e pulverizador às características da cultura e produtos a serem utilizados. Exemplo, velocidade de trabalho, escolha das pontas de pulverização e n° de bicos de acordo com o tamanho da planta. Calibragem significa verificar a vazão das pontas, determinar o volume de calda da pulverização (L/planta) e pressão de trabalho.

REGULAGEM: Velocidade de trabalho

A escolha da velocidade de trabalho adequada também é fundamental para o sucesso da pulverização. Abaixo vamos exemplificar como medir a velocidade de trabalho em km/h.

  1. Abasteça o tanque com metade da capacidade somente com água.
  2. Marque 50 metros no terreno a ser tratado;
  3. Selecione a marcha que proporcione a velocidade adequada na área a ser tratada;
  4. Anote o tempo gasto na marcha e rotação necessárias para o trator percorrer os 50 metros. Inicie o movimento do trator no mínimo 5 metros antes do ponto inicial marcado.
  5. Anote o tempo gasto. Exemplo: 50m em 30s.
  6. Divida a distância pelo tempo: 50m/30s = 1,66 m/s.
  7. Multiplique o resultado por 3,6 para converter para km/h. Ex. 1,66 x 3,6 = 6 km/h.

Figura 1. Avaliação do tempo gasto para percorrer 50m. Fonte: ANDEF.

REGULAGEM: PONTAS DE PULVERIZAÇÃO

Em citros, deve-se trabalhar com pontas de pulverização que gerem gotas de 100 a 200 µm para mitigação de efeitos adversos das condições climáticas.

CALIBRAGEM: MANÔMETRO E REGULADOR DE PRESSÃO

A faixa de pressão mais adequada para citros é de 100 – 200 psi que pode ser medida por meio do manômetro. Em citros, os mais adequados são os que apresentam escala de 0 – 300 ou 0 – 500 psi de pressão. Já o regulador de pressão regula a pressão de trabalho e vazão dos bicos.

Figura 2. Regulador de pressão e manômetro no turbopulverizador.

CALIBRAGEM: VOLUME DE CALDA

O volume de calda por planta é determinado de acordo com a localização do alvo na planta. Em citros, é referenciado em ml/m³ de copa (Tabela 1).

Tabela 1. Recomendação de velocidade de trabalho, volume de calda e pressão de trabalho de acordo com o alvo.

CÁLCULO DO VOLUME DE CALDA

Para exemplo de cálculo, utilizaremos os seguintes dados:
Altura de planta: 4,0 m
Largura de planta: 3,5 m
Espaçamento entre plantas: 2,5 m
Espaçamento entre linhas: 6,5 m.
População de plantas: 615 plantas/ha (10.000/6,5 x 2,5)
Alvo de controle: psilídeo
Volume de calda desejado para psilídeo: 100 ml/m³
Velocidade de trabalho: 6 km/h

CUBICAGEM DE PLANTA (m³/planta) :

Altura x Largura x Espaçamento entre plantas = 4,0 x 3,5 x 2,5 = 35 m³/planta.

Figura 3.Cálculo da cubicagem por planta (m³/planta). Fonte: Fundecitrus.

VOLUME DE CALDA POR PLANTA E POR HECTARE (L/planta e L/ha) :

Volume de calda por planta: 35 m³/planta x 100 ml/planta x = 3,5 L/planta

Volume de calda por hectare: 3,5 L/planta x 615 plantas/ha = 2.152 L/ha.

CÁLCULO DA TAXA DE APLICAÇÃO (q) (L/min):

Deve-se agora medir a vazão média de bicos até atingir valor próximo a 1,75 L/min/bico.

 O ajuste é feito por meio da válvula reguladora de pressão.   Aferições periódicas garantem as características como tamanho de gotas, uniformidade de distribuição e vazão (Fundecitrus).

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

O sucesso da aplicação não se faz apenas com a chegada da gota no alvo, mas sim com a penetração dos ingredientes ativos nas folhas e/ou insetos os quais são dependentes das condições climáticas (Tabela 2).

Tabela 2. Condições ambientais para pulverizações (Fonte: Theisen & Ruedell, 2004).

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA PULVERIZAÇÃO.

Com uso do papel hidrossensível é possível avaliar a qualidade da pulverização. Na tabela 3 abaixo, encontra-se as % adequadas de cobertura de acordo com o alvo a ser controlado.

Tabela 3 Referência de cobertura para cada alvo. Fonte Fundecitrus.

Autores:
Celso José da Silva
Luís Felipe Rinaldi
Nelcir Alves de Oliveira
DESENVOLVIMENTO TÉCNICO DE MERCADO – COOPERCITRUS

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