Com média de 137,1 toneladas por hectare e canavial chegando ao 13º corte, a família Toller Furtado mostra como irrigação, manejo e suporte técnico aumentaram produtividade e longevidade da lavoura.
Produzir mais em cada hectare já representa um ganho importante. Manter essa produtividade por mais cortes pode mudar ainda mais a conta.
Na propriedade da família Toller Furtado, em Barretos (SP), a irrigação ajudou a levar o canavial a um novo patamar. Na última safra, a produtividade chegou a 137,1 toneladas de cana por hectare (TCH), em um canavial com média de 4,6 cortes. Um dos canaviais irrigados chegou ao 13º corte e ainda mantinha produtividade satisfatória.
Para o cooperado Eduardo Toller Furtado, o investimento em irrigação só se sustenta se aparecer na produtividade da lavoura.
“Se você não tem produtividade, não se paga. Se tem ganho de produtividade, melhora a rentabilidade”, afirma.
Hoje, aproximadamente 380 dos quase 500 hectares cultivados com cana na propriedade são atendidos por seis pivôs. O projeto começou com dois equipamentos e cresceu à medida que a resposta da cultura apareceu no campo.
A família começou o projeto com dois pivôs, instalados em um canavial de nono corte, que vinha produzindo cerca de 90 TCH. A intenção era observar na prática a resposta da cana antes de ampliar o investimento.
“Na época, tinha muita controvérsia. Diziam para nós que ‘não compensa, não vale a pena, o investimento não se paga’”, relata Eduardo.
Depois da irrigação e dos ajustes de manejo, a produtividade média atingiu 130 toneladas.
“Um canavial de nono corte fechar com 130 toneladas é muita coisa. Foi quando vimos que precisávamos irrigar mais”, lembra Eduardo.
Os resultados positivos motivaram a família a expandir o projeto de irrigação, chegando aos 6 pivôs atuais.
Hoje, Eduardo estima que a irrigação tenha contribuído para um aumento próximo de 30% na produtividade, resultado que se reflete diretamente na rentabilidade da área.
Para ele, a irrigação funciona ainda como uma proteção diante da irregularidade climática. “São duas coisas que se complementam. O pivô reduz o risco e, ao mesmo tempo, aumenta a produtividade.”
Menos reforma, menor pressão sobre o caixa
A irrigação também ajudou a prolongar a vida produtiva das áreas, trazendo efeito no caixa da fazenda.
Em áreas de sequeiro, a reforma costuma ocorrer por volta do quinto ou sexto corte, enquanto o canavial irrigado mais antigo chegou ao 13º corte. A reforma da área não ocorreu por perda de produtividade, mas devido a uma infestação severa de grama-seda.
“Não estamos reformando porque está produzindo pouco. A decisão foi pelo problema com a planta daninha”, explica Eduardo.
Essa longevidade tem impacto direto no negócio. Reformar um canavial significa investir novamente na implantação, hoje estimada pelo produtor entre R$ 16 mil e R$ 17 mil por hectare, e passar por um período de menor geração de receita naquela área.
Água para ganhar tempo

Parte dessa longevidade está ligada a uma mudança no manejo, com a possibilidade de fazer o plantio de falhas no momento certo. Antes da irrigação, esse trabalho dependia da volta das chuvas. Normalmente, era preciso esperar novembro para ter umidade suficiente para o pegamento das mudas. O problema é que, nessa época, parte da cana já estava desenvolvida e a entrada de máquinas se tornava mais difícil.
“Aquilo que você tinha uma janela de 30 dias hoje passa a ter 120 dias para fazer o plantio de falhas no canavial inteiro”, afirma Eduardo.
É nesse ponto que produtividade e longevidade se encontram. Um canavial com menos falhas consegue aproveitar melhor a área e manter seu potencial por mais tempo.
Irrigação exige outro manejo
Os resultados também exigiram uma nova forma de conduzir a lavoura.
A adubação, por exemplo, passou por mudanças. Segundo Eduardo, a propriedade aumentou em cerca de 20% a 30% o volume de nutrientes para acompanhar o desenvolvimento da cana.
A escolha das variedades também ganhou peso.
Com mais água disponível, a família passou a observar com atenção a tolerância a doenças e características como o porte mais ereto. Uma cana mais produtiva tende a ganhar peso e volume. Se tombar, pode dificultar a colheita, aumentar perdas e levar mais impurezas para a usina.
“Não adianta produzir muito e depois ter dificuldade para colher. A variedade precisa acompanhar esse potencial”, resume Eduardo.
Isso reforça uma premissa importante: irrigação não substitui manejo. Ela aumenta o potencial produtivo e requer outras decisões, como ajuste na adubação, escolha das variedades entre outras.
Da decisão ao projeto

Quando a família decidiu irrigar, ainda havia uma série de perguntas a responder.
tinha água suficiente? Qual sistema era mais adequado? Como dimensionar os equipamentos e a demanda elétrica?
Foi nesse momento que a Coopercitrus entrou no projeto.
Por meio do Cooper Irriga, a família contou com apoio para avaliar a disponibilidade de água, as características da área e a tecnologia mais adequada. O trabalho também envolveu projeto hidráulico, infraestrutura necessária, implantação, treinamento e suporte após a entrega.
Para a Letícia Carminatti, consultora de irrigação da Coopercitrus, o primeiro passo é entender os recursos disponíveis e as necessidades da cultura.
“No caso do Eduardo, a disponibilidade de água foi determinante. Depois, avaliamos o formato das áreas, que favorecia muito o uso do pivô”, explica.
A resposta à primeira pergunta veio da própria propriedade, que conta com uma represa de aproximadamente 37,5 hectares. A vazão foi medida em período seco antes de o projeto avançar.
Para o cooperado, esse suporte foi importante para dar segurança a uma decisão que envolve investimento elevado e efeitos de longo prazo. “Um projeto de irrigação você não faz todo dia. Ter uma empresa estruturada, com conhecimento técnico e pós-venda, faz muita diferença para o produtor ter segurança de investir.”
O relacionamento continuou depois que os equipamentos entraram em operação.
“O pós-venda evoluiu muito. Quando precisamos, o atendimento é rápido, tem suporte e disponibilidade de peças”, afirma.
Gestão na tela do celular
A tecnologia também mudou a rotina da irrigação.
Pelo aplicativo, Eduardo acompanha os pivôs à distância, define lâminas de água, programa horários de funcionamento e monitora a operação em tempo real.
Além de facilitar a rotina, o sistema reduz deslocamentos e permite organizar o funcionamento dos equipamentos conforme a rotina da propriedade e os horários de energia mais baratos.
“Você consegue programar o início e o fim da irrigação e acompanhar tudo a distância. É uma facilidade muito grande”, conta.
A propriedade também investiu em geração fotovoltaica para ajudar a administrar a demanda energética da irrigação.
Hoje, cinco parques fotovoltaicos fazem parte da infraestrutura da fazenda.
O próximo passo é ampliar
Mesmo com aproximadamente 380 hectares irrigados, ainda existem áreas que ficam fora do alcance dos pivôs.
Para atender esses pontos, a família adquiriu um carretel de irrigação Bauer, também por meio da Coopercitrus.
A expectativa é ampliar a cobertura em cerca de 100 hectares e levar para essas áreas os mesmos benefícios observados no restante do canavial, principalmente a possibilidade de fazer o plantio de falhas no momento adequado.
A experiência em São Paulo também abriu caminho para um novo estudo em propriedades da família em Goiás, onde está sendo avaliada a implantação de irrigação por gotejamento subterrâneo.
“Não existe um sistema que seja o melhor para todas as propriedades. É preciso olhar água, solo, relevo, cultura e objetivo do produtor antes de definir o projeto”, reforça Carminatti.
Para Eduardo, porém, uma conclusão já está consolidada. A irrigação deixou de ser vista apenas como equipamento e passou a fazer parte da estratégia da propriedade. Hoje a família consegue planejar quando a água entra no sistema produtivo e usar esse controle para manejar melhor a lavoura.
“Nunca tive dúvida. Se a planta é 90% água, não tem como não responder bem quando recebe a quantidade certa”, diz Eduardo. “Eu sempre tive certeza de que o pivô na cana ia dar resultado, e hoje a gente vê isso na prática.”
ONDE A IRRIGAÇÃO MEXEU NA CONTA
Antes da irrigação
Produtividade — Canavial de 9o corte produzindo cerca de 90 TCH
Reforma — Renovação do canavial entre 5º ou 6º corte
Plantio de falhas — Concentrado no início do período chuvoso, em cerca de 30 dias
Previsibilidade — Produção dependente das chuvas
Depois da irrigação
Produtividade — Média de 137,1 TCH, com ganho estimado em 30%
Reforma — Canavial mais antigo chegou ao 13º corte
Plantio de falhas — Iniciado ainda no período seco, com cerca de 120 dias de janela
Previsibilidade — Água aplicada no momento necessário, independentemente da chuva
DO PROJETO AO PÓS-VENDA
Como o Cooper Irriga atua
Diagnóstico — Avaliação da área, disponibilidade e qualidade da água.
Projeto — Dimensionamento hidráulico e definição da tecnologia.
Viabilidade — Análise da infraestrutura e apoio nas alternativas de financiamento.
Implantação — Acompanhamento da instalação e entrega técnica.
Capacitação — Orientação para operação e manutenção dos equipamentos.
Pós-venda — Assistência técnica, manutenção e disponibilidade de peças.







